Portugueses mais disponíveis para falar sobre sexo

Especialistas defendem, no entanto, que os protugueses se mantêm mais conservadores nos comportamentos. Eventos como o Salão Erótico são sobretudo vistos como forma de a indústria pornográfica se apresentar à sociedade <br />
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Os portugueses têm hoje mais facilidade em falar de sexo, mas não têm a mesma abertura mental nos comportamentos. No dia em que o programa do V Salão Erótico de Lisboa foi apresentado, dois conhecidos séxologos explicaram ao DN como é que os portugueses encaram o sexo e o que os motiva a visitar um evento como este.

Vasco Prazeres, por exemplo, não hesita sequer em afirmar que "hoje em dia o discurso público sobre a sexualidade é manifestamente maior do que há duas ou três décadas". Contudo, o séxologo tem mais dúvidas "sobre se as pessoas têm mais abertura para a sexualidade ou se, nessa matéria, estaremos a regredir".

A maior abertura reflecte-se a outro nível também. "Que nós todos pensamos muito em sexo, não tenho qualquer dúvida", diz este médico e sexólogo, explicando, de seguida, que "isso já acontecia antes, não é de agora". Diferente é em relação à prática. "Aí, se formos ver, já há estudos para todos os gostos", adianta, explicando que é por isso mais complicado dizer se os portugueses serão viciados em sexo. "O que existe é a dependência sexual, mas isso já é outra coisa", conclui (ver caixa).

Já quanto às possíveis motivações de uma visita a um salão erótico, como aquele que abre portas de hoje a uma semana na FIL, em Lisboa (ver texto secundário), Vasco Prazeres acredita que muitas pessoas se movem sobretudo pela curiosidade. Mas admite que a presença de cada vez mais mulheres nestes eventos - que antes tinham nos homens o seu principal público-alvo - se deve em grande parte à maior abertura da sociedade portuguesa para o tema da sexualidade.

"Agora estes eventos inserem-se sobretudo num maior mediatismo do sexo e até da própria comercialização das actividades a ele ligadas", salienta Vasco Prazeres, dando como exemplo a indústria dos filmes eróticos e pornográficos, dos acessórios sexuais e dos estimulantes, entre outros.

Tal como Vasco Prazeres, também o psiquiatra e sexólogo Francisco Allen Gomes crê que eventos como os salões eróticos são uma forma de a indústria se apresentar à sociedade. "Não é muito diferente da apresentação de um filme. Os protagonistas dão entrevistas, falam com as pessoas e dizem que gostaram muito do seu papel", diz o especialista.

Já em relação à mentalidade da população, Allen Gomes acredita igualmente que "os portugueses se sentem mais à vontade para falar de sexo". Contudo, recorda que "o que hoje traz mais movimento já não é a reivindicação de determinados direitos, pois isso está mais estabelecido". "Aquilo a que assistimos é às minorias que procuram o seu espaço", assevera.

Por outro lado, Francisco Allen Gomes acrescenta ainda que é "sobretudo pela curiosidade, pela fantasia e pelo querer ver ao vivo aquilo que muitas vezes vêm em filmes" que muitas pessoas acabam por visitar um evento erótico. "E sempre é mais saudável do que aqueles velhos teatrinhos de antigamente, só para homens, e onde de vez em quando entrava um casal que logo saia a meio", acrescenta.

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