Portugal viveu uma década de desafios e de transformações na saúde

Apesar dos diversos travões ao desenvolvimento e à reorganização e transformação da prestação de cuidados de saúde foram introduzidas algumas mudanças importantes, como a digitalização e a implementação de tecnologias inovadoras, ou as novas formas de organização de cuidados. À espera de melhores dias ficaram outras aguardadas reformas estruturais.
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Olhando para trás, a última década foi extremamente desafiante para o setor da saúde. Uma crise financeira e um programa de austeridade, e uma pandemia que se seguiu a "um intervalo em que se fizeram, de facto, coisas transformadoras". O retrato, traçado por Maria de Belém Roseira resume, linhas gerais, os últimos 10 anos da saúde em Portugal. Em entrevista ao Diário de Notícias, a ex-Ministra da Saúde (1995-1999) e atual conselheira da Fundação Altice, explica: "apesar da austeridade, e antes do aparecimento da pandemia, introduziram-se algumas mudanças que foram muito importantes, designadamente com o apoio da digitalização, das novas tecnologias, e novas formas de organização de cuidados".

No mesmo período, e apesar de "não termos ainda a almejada autonomia de gestão, houve instituições que sobressaíram pela sua capacidade de incorporar as novas tecnologias para efeitos preditivos de gestão, e que foram, de certa forma, revolucionárias", revela Maria de Belém que destaca também decisões que, a nível central, permitiram evoluir muito na informatização da saúde e na reorganização de cuidados, designadamente ao nível da hospitalização domiciliária.

Igualmente positivo, destaca a ex-governante, foi o recuo verificado em indicadores como o da mortalidade evitável, segundo a avaliação do observatório europeu dos sistemas de saúde, em conjugação com a OCDE e a União Europeia, publicada em 2018, na sequência de visitas que foram feitas por equipas internacionais.

O desafio lançado a alguns ex-ministros da saúde, pelo Diário de Notícias e pela TSF, para um olhar reflexivo sobre a mais recente década na saúde em Portugal, surge a propósito da 10ª edição da conferência "Sustentabilidade em Saúde", uma iniciativa da farmacêutica Abbvie, a que ambos os meios da Global Media se associam. O objetivo, que passa por fazer um balanço crítico sobre as políticas de saúde e a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), visa igualmente uma análise sobre as tendências, os desafios e as oportunidades que o setor pode esperar nos próximos tempos, temas que serão posteriormente abordados e explorados durante a conferência que terá lugar no dia 3 de maio, entre as 9h30 e as 13 horas, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Durante o evento, e à semelhança do que aconteceu nas últimas edições, será apresentado o Índice de Sustentabilidade na Saúde, o estudo que anualmente avalia a evolução da sustentabilidade do SNS, desenvolvido pela NOVA Information Management School (NOVA IMS). Pedro Simões Coelho, Presidente do Conselho Científico e Professor Catedrático da NOVA information Management School fará uma breve apresentação das principais conclusões desta pesquisa, que será depois comentada por um painel ao qual se juntam Óscar Gaspar, Presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada e Hélder Mota Filipe, Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos. "Não existe futuro sem uma boa preparação, que é feita no tempo presente, e com a aprendizagem que trazemos do que está feito no passado", refere Adalberto Campos Fernandes. Em entrevista ao DN, o ex-Ministro da Saúde (2015-2018) e professor na Escola Nacional de Saúde Pública aplaude a iniciativa de criar o índice de sustentabilidade, uma ideia que nasceu quando ainda estava no Governo. "Lembro-me do ano de 2018 em que fomos muito bem apreciados em termos do índice de sustentabilidade e, portanto, fazíamos muita coisa com poucos recursos", salienta.

Na sua opinião, sustentabilidade é hoje a palavra-chave em todos os sistemas de saúde modernos, em todo mundo que vive sucessivas crises de instabilidade e incerteza. "A mensagem mais forte que queria deixar é que a sustentabilidade tem de estar presente no nosso ideário político, mas também na nossa atitude enquanto atores sociais e atores políticos".

Num segundo momento da conferência, e sob o mote "Futuro e Inovação em Saúde", serão debatidas as tendências no setor da saúde e a importância do investimento em investigação e desenvolvimento. Este painel contará com a presença de João Almeida Lopes, Presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica; Catarina Resende Oliveira, Presidente da Direção da Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica; Helena Pereira, Presidente da Fundação Ciência e Tecnologia; Alexandre Lourenço, Presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH); e Jaime Melancia, Presidente de Mesa da Assembleia Geral da EUPATI Portugal.

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