As mulheres ricas usavam vestidos longos pintados à mão, os dourados eram apreciados, o escultor Bernini era muito apreciado e entre 1600 e 1815, os europeus mudaram de gosto. Os muito apreciados italianos foram substituídos pelos franceses. É da maneira de viver e da arte durante este período que falam as novas salas do Museu Victoria & Albert, em Londres..Os novos espaços, de entrada livre, reúnem 1100 objetos deste da coleção do museu, entre peças que se encontravam no acervo e aquisições recentes. A história conta-se por ordem cronológica nas quatro salas maiores, que alternam com três pequenas galerias temáticas, centradas em aspetos concretos da vida nesta época, como realça o V&A: Cabinet, dedicado ao colecionismo, e a uma época em que, por toda a Europa, começam a surgir gabinetes de curiosidades; Salon, a propósito do debate Iluminista, onde se mostra uma instalação contemporânea do coletivo artístico cubano Los Carpinteros; e, na terceira, Masquerade, dedicada ao entretenimento e ao glamour, de inspiração veneziana..Um quarto francês.Um dos ambientes criados nas salas tem sido o quarto francês, do reinado de Luís XVI, outro é uma sala espelhada do século XVIII em Itália. Em ambos casos, sublinha-se um dos propósitos curatoriais dos novos espaços: mostrar a ascensão do gosto francês a partir da segunda metade do século XVII e a queda do italiano, num momento em que a Europa está em ebulição. Portugal volta a ser independente após a dinastia dos Filipes, D. João V sobe ao trono, dá-se o terremoto de 1755 em Lisboa, a Revolução Francesa (1789), a Reforma e a Contra-Reforma, o Iluminismo, a Revolução Industrial na segunda metade do século XVIII e o congresso de Viena em 1815..Entre as peças de cerâmica e vidro, mobiliário e metais, pintura e escultura, impressões e livros, têxteis e moda, sobressaem um uniforme de homem e um vestido de mulher, pintado à mão..Reinterpretar a coleção.A informação que acompanha cada peça, permite dizer que a maioria foram produzidas em solo europeu (o que não aconteceria numa exposição dedicada ao século XXI), refletindo o gosto de monarcas que foram compradores vorazes como Luís XIV, Maria Antonieta ou Napoleão. É aqui que o mercado dos bens de luxo começa assim como a ideia da democratização desses bens..Há outro aspeto que sobressai do projeto da exposição, assinada pela curadora Joanna Norman: como os europeus sistematicamente exploraram e retiraram recursos de África, Ásia e América - locais onde Portugal e Espanha tinham especiais interesses, falemos na origem do dinheiro (um vídeo que se pode ver no site do museu (vam.ac.uk mostra as grandes encomendas a Itáliado rei D. João V, para o Palácio Nacional de Mafra, para a Capela de S. João Baptista na Igreja de São Roque, em Lisboa, ou a biblioteca da universidade de Coimbra, financiadas pelo ouro do Brasil) ou nos materiais usados - madeiras tropicais, prata sul-americana, marfim ou tartaruga.."Estas novas galerias são um desenvolvimento da nosso ambicioso programa de renovação da arquitetura do V&A para o século XXI e, ao mesmo tempo, examinam e representam a nossa coleção para os visitantes", afirmou Martin Roth, diretor da instituição, por ocasião da inauguração das novas salas, a 9 de dezembro. O Victoria & Albert, na zona de Kensingon, foi inaugurado em 1852 pelos reis que lhe dão nome. "Num momento em que os papéis da Europa e do mundo estão sob escrutínio. é interessante explorar os objetos, fazedores e patronos deste período que foram tão influentes nos hábitos e no modo de vida da Europa de hoje", sustenta..Com este trabalho de remodelação, patrocinado pela National Lottery do Reino Unido, que participou com 4,75 milhões de libras (6,4 milhões de euros), fica completa a remodelação da zona frontal do edifício do V&A. Esta é a continuação do trabalho iniciado com as salas da Idade Média e do Renascimento, que abriram em 2009, ao abrigo do programa Future Plan, que destinou cerca de 17 milhões de libras à renovação do maior museu de artes decorativas do mundo.