Portugal luta com a Suécia para fugir ao último lugar

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Portugal deverá discutir com a Suécia os penúltimo e último lugares dos Campeonatos da Europa por equipas em atletismo, cuja edição inaugural terá Leiria por palco, enquanto Alemanha, Rússia e Grã-Bretanha lutam pelo título.

A Alemanha, em ano em que vai receber o Mundial (em Berlim, em Agosto), está com vários atletas em forma excelente e tem na  saltadora Ariene Friedrich, que recentemente passou 2,06 metros metros, a sua figura de proa.

Mais equilibrada que nunca, desde a reunificação da RFA com a RDA, a Alemanha tem um sector de lançamentos de eleição, com Betty Heidler (campeã mundial do martelo), Robert Harting (vice-campeão mundial do disco), Nadine Kleinart (terceira no Mundial, no peso) e Christina Obergfoll (bronze nos Jogos Olímpicos, no dardo).

Também muito bem balanceada entre sectores está a Grã-Bretanha, liderada pela velocista Christine Ohuguogu, a campeã olímpica e mundial dos 400 metros, que vai competir nos 200 em Leiria.

O sector da velocidade britânica é temível, com Dwain Chambers, o recordista europeu dos 60 metros, a correr nos 100, Rikki Fitfon, segundo europeu mais rápido nos 200, e David Greene, destacadíssimo melhor europeu dos 400 metros barreiras.

Philips Idowu, o vice-campeão mundial atrás de Nelson Evora no triplo, Moahmed Farrah, vice-campeão europeu de crosse, que vai aos 5.000 metros, e a ainda junior Stephanie Twell, campeã europeia de crosse no seu escalão, que corre nos 3.000, são outros destaques dos ingleses.

A Rússia apresenta uma selecção mais desequilibrada: vários pontos fracos no sector masculino, a melhor no feminino... mesmo sem Yeleba Isinbayeva.

A "czarina" do salto com vara não vai a Leiria, mas em seu lugar estará Yuliya Golubchikova, campeã europeia em pista coberta e quarta nos Jogos Olímpicos - o que até pode chegar para o primeiro lugar, a menos que as novas regras (limite imperativo de quatro derrubes) a afectem.

A grande figura da selecção russa acaba por ser a fundista Gulnara Galkina-Samitova, campeã olímpica dos 3.000 metros obstáculos e primeira mulher a baixar da barreira dos nove minutos.

Em Leiria, correrá os 3.000 metros, mas em planos, não deixando por isso de ser um enfoque, absoluto, para o fim-de-semana de atletismo no estádio Magalhães Pessoa.

Anna Alminova, campeã europeia "indoor" de 1.500 metros, Olga Kucherenko, segunda melhor europeia do ano no comprimento (principal rival para Naide Gomes) e Maria Abrakumova, no dardo, também podem render muitos pontos à Rússia.

Com Obergfoll, Abrakumova e a checa Barbara Spotakova, campeão olímpica, o lançamento do dardo promete grande espectáculo, já que corresponde ao pódio de Pequim2008.

Depois de Alemanha, Rússia e Grã-Bretanha, surgem num "plano intermédio" da classificação Polónia, Ucrânia, França, Itália e Espanha, selecções que deverão fazer um "campeonato tranquilo" e dificilmente descerão.

A Polónia, com um sector de lançamentos "de sonho", tem como figura de proa Tomasz Majewski, o campeão olímpico do peso.

Será em Leiria um dos oito campeões olímpicos presentes, a par de Nelson Évora, Spotakova, Galkina-Samitova, Ohuguru e de três das corredoras russas de 4x100 metros: Yulia Guschina, Yevgenya Polyakova e Yulia Chermoshanskaya.

Na boa selecção francesa interessa seguir a prova de Renaud Lavillenie, que há poucos dias passou 5,96 metros na vara, uma altura raramente alcançada, no "pós-Bubka".

 A luta pela despromoção - descem três equipas à divisão intermédia da competição - deverá resumir-se a República Checa, Grécia, Portugal e Suécia.

A selecção sueca que está em Leiria é das mais fracas dos últimos anos e não tem nenhuma das grandes vedetas que fizeram as delícias dos seus adeptos, na última década: Carolina Kluft (provas combinadas, que aqui poderia estar no comprimento), Susanna Kalur (100 metros barreiras), Stefan Holm e Emma Green (altura) e Christian Olsson (triplo).

Só contam como vedeta com Joahn Wissman, campeão europeu de 400 metros em Turim, o que é manifestamente pouco.

Assim sendo... pode até perder com uma selecção portuguesa bem galvanizada, desde que Naide, Nelson, Rui Silva, Marco Fortes, Obikwelu não falhem.

Com suecos e portugueses "quase condenados" à despromoção, checos e gregos parecem ser os "candidatos" à outra "vaga" de despromoção.

Mesmo tendo nas suas fileiras atletas como Spotakova, ou Louis Tsatoumas (melhor europeu do comprimento em 2008) e Perikles Iakovakis (campeão europeu de 400 metros barreiras), fugir da despromoção é a meta possível.

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