Porto de Sines interessa à grande plataforma logística de Sarogoça

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O porto de Sines está à beira de assinar um protocolo de cooperação com a Plaza de Sarogoça, a gigantesca plataforma logística inaugurada na quarta-feira na cidade espanhola, soube o DN.

A Administração do Porto de Sines prefere "por enquanto" não comentar essa informação, mas um responsável do sistema logístico nacional afirmou ao DN que existe esse protocolo de entendimento, tanto mais que os espanhóis têm um grande interesse em assegurar presença no porto marítimo português, considerado um vértice no sistema intermodal de transportes que está a nascer em Sarogoça. Há outras empresas portuguesas interessadas em aproveitar as sinergias da Plaza, mas até agora não há qualquer negócio concretizado.

Localizada no eixo Madrid/Barcelona, a nova Plaza espanhola, com 12 milhões de metros quadrados, é a maior plataforma logística europeia e assenta a sua oferta nesse centro intermodal de transportes (rodo-ferroviário e aviação), com capacidade para "facilitar a integração de operações e a obtenção de sinergias na cadeia logística".

A distância de Sarogoça dos principais portos espanhóis (Barcelona, Bilbau e Valência) é apresentada como uma vantagem competitiva na "localização de portos secos".

A maior fatia do investimento (64%) foi assegurada por capitais públicos (mais de metade do governo regional de Aragão e o remanescente do Ayuntamento de Saragoça), garantindo dois bancos regionais uma participação superior a 18%. A restante quota accionista encontra-se repartida por privados.

Para já, o governo de Aragão, garantiu investimentos de 500 milhões de euros e a presença na plaza de quase uma centena de empresas, responsáveis pela criação de 10 mil novos empregos. A Inditex, DHL, JCV, Imaginarium, Barclays e Repsol são algumas das firmas com contratos assinados. A segunda fase de urbanização da Plaza, em curso, arrancou com promessa de negócios de 40 novas empresas. De acordo com os dados oficias, foram já vendidos 200 hectares, correspondentes a investimentos de 430 milhões de euros.

A aposta na qualificação de competências revela-se na escolha do Instituto Tecnológico de Massachusetts, instituição norte-americana de onde já saíram 47 prémios Nobel, para parceiro do centro de investigação logística de Saragoça. Com mais esta competência, o governo aragonês quer catapultar internacionalmente a experiência da cidade e, em ligação estreita com a universidade local, já começou a promover cursos de formação específica de logística, associando a marca da cidade às competências do sistema operativo. O parque empresarial, um centro de assistência logística, áreas de concentração de carga e de mercadorias perigosas, plataformas agro-alimentares e de logística de granel completam a oferta da Plaza.

paciência. Embora de dimensões incomparáveis, a Plaza de Saragoça vem juntar-se a outras plataformas inauguradas em Espanha, nos últimos dois anos, e cuja pressão empresarial já se sente nos operadores logísticos nacionais.

Portugal está há vários anos a tentar definir a sua rede de plataformas logísticas de iniciativa pública, mas como se trata de investimentos avultados e que se encontram dependentes de outras opções (TGV, aeroporto), o processo tem atrasado, explica o comissário do Gabinete para o Desenvolvimento do Sistema Logístico Nacional (GabLogis). A instabilidade política dos últimos dois anos também provocou avanços e recuos na decisão e só recentemente o Governo deu aval à construção de plataformas em Elvas, Sines e Leixões.O comissário André Henriques, do GabLogis, indica que não é a escolha dos locais que atrasou o processo. "Há muito que sabemos onde devem ser localizadas as plataformas, mas o Estado não pode avançar sem garantir o interesse empresarial que as dinamize". Rejeitando a criação de mais elefantes brancos, André Henriques sublinha que Portugal já tem plataformas privadas de qualidade.

Menos convencido, o gestor de um parque industrial de uma cidade interessada em garantir a localização de uma plataforma acentua que enquanto Portugal anda há anos a esgrimir interesses para a localização destas estruturas, os espanhóis constroem-nas. E o saldo não podia ser pior "Em vez de assegurarmos o investimento espanhol, é Espanha que está a garantir o investimento português."

* Com Roberto Dores

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