Quinze anos depois, a Portline volta a operar no Brasil com um navio próprio. Até recentemente, a empresa portuguesa limitava-se a angariar cargas que eram colocadas em navios das companhias israelita Zim, da grega Niver Lines ou da canadiana CP Ships, que, ao chegar a Las Palmas, nas Canárias, eram depois colocadas em navios da Portline com destino a Portugal ou África..Agora, a situação mudou, já que foi criada uma linha regular do Brasil para a África, com o navio Portejo. Por fazer continua uma rota regular entre o Brasil e Portugal, que não existe nem na Portline ou em qualquer outra companhia. Do lado brasileiro também nenhuma companhia mantém uma linha regular directa com Portugal. Entre as empresas estrangeiras, só a Grimaldi, de Mónaco, o faz. Diversas outras servem Portugal e o Brasil através de transbordo - transferência de cargas..A inexistência de uma ligação marítima directa entre os dois países está relacionada com o baixo nível de comércio realizado. Em 2004, o Brasil bateu o recorde histórico na exportação, ao vender 96,5 mil milhões de dólares para o mundo, mas só 1% (961 milhões) se destinou a Portugal..O Brasil importou globalmente 62,8 mil milhões de dólares no ano passado, dos quais apenas 190 milhões de Portugal. É verdade que, em 2004, as exportações brasileiras para Portugal subiram 53% face ao ano anterior e que as importações aumentaram 33%. Crescimentos que fazem prever que, em breve, serão restabelecidas as linhas directas entre países tão unidos culturalmente - e tão afastados comercialmente..África. Mas se pode ser lamentável a inexistência de uma ligação marítima directa entre Brasil e Portugal por navios das bandeiras nacionais, um facto novo é a regresso da Portline, com navio próprio, ao Brasil. O serviço vai chama-se 'Braver', fazendo a rota entre Brasil e Cabo Verde. .A primeira viagem teve início em Cabo Verde e tocou Fortaleza no dia 4 de junho. Como não há carga de importação pelo Brasil, o Portejo trouxe apenas contentores vazios e recebeu aço da empresa Gerdau. Daí seguiu para Santos, com previsão de saída no dia 14 de Junho, para regressar a Fortaleza, onde receberá novas cargas e partirá para os portos de Cabo Verde Conacri e Bissau..Rogério Simões, da Action Logística - agente da Portline - afirma que o serviço está pensado para as exportações brasileiras, trazendo no retorno apenas contentores vazios, face à impossibilidade de Cabo Verde oferecer bens manufacturados que interessem ao Brasil. .O navio tem capacidade para receber 330 contentores de 20 pés cúbicos ( TEU). Rogério Simões diz que entre um milhão de cabo- -verdianos, apenas 300 mil moram nesse conjunto de ilhas; o restante está em Portugal, Brasil e Estados Unidos, enviando dinheiro para parentes e animando a economia local. Uma prova do bom momento de Cabo Verde está na construção de um segundo aeroporto internacional..As cargas brasileiras de exportação para Cabo Verde - e países próximos, via transbordo - são ferro, aço, móveis, material de construção, além de alimentos e calçado. Parte dos contentores recebe cargas em arcas conservadas, como frutas, carne bovina e de frango. .Rogério Simões afirma que, dependendo dos resultados, a partir de 2006 a programação poderá passar de mensal para quinzenal. De Fortaleza até Cabo Verde a rota dura 16 dias. De Santos para Cabo Verde a previsão é de 9 dias. Em aberto está a inclusão do porto brasileiro de Vitória na rota. .Embora só agora disponha de um navio próprio, a Action já é agente comercial da Portline há quatro anos, levando cargas do Brasil para Las Palmas e com transbordo para Portugal, outros países europeus e África. Criada em 1984, como empresa estatal, a Portline foi privatizada em 1991. A sua frota tem capacidade total de transporte de 720 mil toneladas.