Portas enfrenta crise cada vez mais grave no CDS de Setúbal...

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Lugares. Militantes contestam escolha de 'pára-quedistas'

A desfiliação de Carlos Dantas do CDS-PP, ex-presidente da distrital de Setúbal, está a gerar uma imensa onda de solidariedade entre os militantes da região. Mais de uma centena, de um total de 895, também já manifestaram ao antigo dirigente sadino a sua intenção de abandonar o partido nos próximos dias, juntando-se, como o DN avançou ontem, a outros 30 membros da Juventude Popular. Entretanto, Manuela Soeiro, um nome histórico de Santiago do Cacém, demitiu-se do Conselho Nacional, onde tinha sido eleita nas listas de Paulo Portas.

Tem sido um autêntico corrupio de reuniões, e-mails e telefonemas entre os militantes do CDS no distrito de Setúbal, que nas últimas horas decidiram juntar-se a Carlos Dantas, a quem garantiram que também vão abandonar o partido contra o que dizem ser o "clientelismo político" promovido pela liderança de Paulo Portas na hora de escolher os candidatos para as listas da região.

"Nós temos gente válida no distrito, mas as escolhas recaem sempre sobre pessoas de fora, o que começa a ser insustentável", explica Raquel Leal, ex-presidente da Juventude Popular de Setúbal, que cita o caso do actual deputado Nuno Magalhães como um exemplo das últimas legislativas. Como tal, até sexta--feira esta militante vai apresentar a sua desfiliação. "Atrás de mim vêm mais 30 pessoas", assegura.

O efeito bola de neve não se fez esperar: "Estimamos que além dos 30 elementos da JP, pelo menos cem pessoas entreguem o cartão, mas deverão ser mais", diz Carlos Dantas, congratulando-se com o apoio recebido, onde se encontra o nome da histórica militante de Santiago do Cacém Manuela Soeiro, que se mantém filiada no CDS, mas que já escreveu ao presidente do Conselho Nacional, António Pires de Lima, a renunciar ao cargo de conselheira para o qual foi eleita no último congresso, na equipa de Paulo Portas.

Garante ter sido uma decisão em solidariedade com Carlos Dantas "muito pensada, porque era a única saída", revela. Segundo a militante, "não houve reconhecimento do mérito de quem tanto trabalhou", considerando que Carlos Dantas seria a "pessoa certa" para encabeçar a próxima lista do CDS às legislativas. "Mas o partido não respondeu bem a isso", denuncia.

Contactada pelo DN, fonte da direcção nacional disse que até ontem apenas oito militantes tinham solicitado a sua desfiliação, sublinhando que nenhum era actual dirigente do partido, o que "retira peso" a este processo.

A mesma fonte referiu que quando Dantas concluiu o mandato não havia o suficiente número de concelhias para eleger nova distrital: "O único vazio foi criado por ele por razões administrativas." Em Setembro deverão ocorrer eleições para as concelhias de Setúbal.

...E SÓCRATES É ATACADO EM CARTA ABERTA POR MILITANTES DE VISEU

'Alegristas'denunciam "claustrofobia asfixiante" do Partido Socialista

Um grupo de militantes do PS do distrito de Viseu, mas que já tiveram responsabilidades nacionais no partido, escreveu uma carta aberta ao secretário-geral do partido, a quem acusam de não promover a discussão interna. "O PS, onde nada se debate e há uma claustrofobia asfixiante, está cada vez mais reduzido à participação dos que ocupam cargos políticos" num "silêncio cúmplice e de consonância com o status quo de importantes personalidades socialistas."

Entre os subscritores do documento, a que o DN teve acesso, estão Joaquim Sarmento (ex-deputado e ex-presidente da câmara de Lamego), Jorge Silva, João Botelho, Paula Rodrigues e Júlio Barbosa, todos eles apoiantes de Manuel Alegre. Apesar disso todos mantêm vivas as ligações ao PS e reclamam "um verdadeiro PS que lute contra a total submissão ao poder económico" em que "uns são cidadãos mais iguais do que outros".

Alertam para "o país dos que têm poder económico e político, as mordomias, os salários chorudos e o país dos cidadãos que vêem com pavor o seu nível de vida a afundar-se, sem rendimentos para pagar as prestações da casa e os alimentos essenciais". E lembram "a exasperante posição de muitos deputados que noutras crises e lideranças arriscaram os seus confortáveis cargos em prol da liberdade crítica e do pluralismo de ideias e, que hoje se calam". Estes militantes socialistas justificam a carta aberta dizendo que "a depressão que assola o País exige a nossa ousadia" porque a "descrença que grassa na sociedade e coloca o país à beira da implosão".

Os contestatários acusam a actual liderança de José Sócrates de se render "à lógica do mais puro economicismo, destruindo o Serviço Nacional de Saúde, subvertendo o ideário da escola humanista e desvalorizando o papel do professor e da formação cultural do aluno". Quanto à justiça, "está um verdadeiro lodaçal, sendo uma trincheira dos que têm mais posses e mais meios, em detrimento das classes mais desfavorecidas".

As dificuldades porque passam muitos portugueses são recordadas no documento. Salienta-se "a realidade assustadora de mais de dois milhões de portugueses que vivem no limiar da pobreza, sobretudo os mais idosos, as mulheres e as crianças".

Segundo dizem, na actual falta de resposta aos problemas sociais "há uma grande responsabilidade do actual Governo, cujas reformas, na óptica da obsessão da redução do défice, têm penalizado primordialmente os mais pobres e carenciados". AMADEU ARAÚJO, Viseu

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