Pormenores das esculturas dos navegadores revelados no Padrão dos Descobrimentos

A caravela portuguesa nas mãos do Infante D. Henrique, o olhar de Camões e uma esfera armilar de Pedro Nunes são alguns dos pormenores captados em fotografias que serão expostas, no sábado, no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa.
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A exposição resulta de um levantamento fotográfico realizado por Luís Pavão às obras de restauro - realizadas em 2016 - das 33 esculturas que rodeiam o monumento.

Margarida Kol de Carvalho, diretora do monumento, disse à agência Lusa, numa visita à exposição, que a ideia inicial era fazer apenas o levantamento fotográfico do conjunto escultório emblemático dos Descobrimentos nesta "primeira grande intervenção de restauro nas esculturas", num investimento de 264 mil euros.

"O objetivo era mais documental, mas começaram a surgir pormenores muito interessantes nas imagens que revelaram texturas, formas, botões, rendilhados, e expressões que não estão acessíveis ao nosso olhar, à distância", explicou a responsável.

A monumentalidade das figuras - com sete metros cada uma, exceto a do Infante Dom Henrique, que lidera o conjunto, com nove metros - não permite, do nível do chão, aceder a pormenores que as fotografias revelam na exposição "Na ponta dos dedos".

Luís Pavão visitou oito vezes as esculturas, de dia e de noite, para captar 408 imagens, e selecionou 28 que o público poderá ver na mostra.

Gonçalves Zarco, Gomes Eanes de Zurara, Gil Eanes, Vasco da Gama, Diogo Cão, ou Pedro Nunes são algumas das figuras históricas dos Descobrimentos que surgem em grande plano nas fotografias.

A única figura feminina é a rainha Filipa de Lencastre, mãe do Infante Dom Henrique, que ergue as mãos unidas, como se fosse rezar, e revela uma expressão que mistura esperança e temor pelo destino dos aventureiros.

"Foi muito comovente ver todas estas figuras ao perto, de uma forma impossível de ver de terra", comentou Luís Pavão em declarações à agência Lusa. "Eu decidi explorar essa proximidade e entusiasmei-me bastante", relatou.

O fotógrafo acedeu à "expressividade, à forma de tratar as figuras na pedra, às texturas, que tentam imitar a realidade", e apresenta essa visão ao público.

Nas fotos também é possível ver de perto os problemas que afetavam as esculturas: líquenes alaranjados, crostas negras, fissuras, provocadas pelos ventos, chuva, aquecimento da pedra e poluição.

O Padrão dos Descobrimentos tem 56 metros de altura e é feito de betão armado, revestido de cantaria de pedra rosal de Leiria e decorado com esculturas em calcário de Sintra.

O monumento recebeu 351.592 visitantes em 2017, indicou à agência Lusa a diretora.

No Ano Europeu do Património Cultural, a segunda exposição anual do Padrão dos Descobrimentos destaca o trabalho de salvaguarda e proteção realizado no monumento desenhado pelo arquiteto Cottinelli Telmo (1897-1948) e concretizado pelo escultor Leopoldo de Almeida (1898-1975).

Construído pela primeira vez em 1940 em gesso e argamassa, como parte do cenário da Exposição do Mundo Português, o Padrão dos Descobrimentos foi destruído pelo vendaval de janeiro de 1941 que assolou a zona.

Vinte anos depois, no contexto das Comemorações Henriquinas, voltou a ser construído de acordo com os planos originais, com a orientação do arquiteto António Pardal Monteiro (1928-2012), suportado por uma estrutura da responsabilidade do engenheiro Edgar Cardoso (1913-2000).

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