População de Figueira está revoltada com a Judiciária

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A maioria dos habitantes da aldeia da Figueira, em Portimão, não acredita que Joana Cipriano tenha sido morta na casa onde vivia, esquartejada e lançada aos porcos pela própria mãe e pelo tio, como admite a Polícia Judiciária. O dono de uma das suiniculturas onde a polícia procedeu a investigações garante «Quem dá comida aos animais sou eu ou o meu pessoal e ninguém viu nada de anormal.»

Muitas pessoas pensam que a criança, vista como «sossegadinha, triste e muito responsável, sabendo cuidar da casa e dos irmãos», foi vendida e que estará viva no estrangeiro. Essa é também a ideia do padrasto de Joana, Leandro Silva, e de familiares deste que suspeitam do tio da menor, João Cipriano. Admitem que Joana possa ter servido de troca «para pagar uma possível dívida de droga».

Naquela localidade, onde se alvitra a hipótese de estar alguém por detrás do desaparecimento de Joana a impor silêncio à família sobre o paradeiro da menor, há quem se recorde de um carro vermelho de marca Porsche rondar a zona aos fins-de-semana e que nunca mais foi visto desde o estranho caso.

«A culpa é da PJ, que só começou a fazer exames periciais naquela casa uma semana após a miúda ter desaparecido. E ainda se queixa de que as provas foram destruídas. A investigação começou tarde de mais e por pressão da comunicação social», comentam populares.

Uma opinião partilhada por agentes da autoridade e por fontes ligadas ao processo. O caso Joana tem provocado tempestades e mudanças na PJ no Algarve. A certa altura, entraram em acção inspectores de Lisboa, pertencentes à Divisão Central de Combate ao Banditismo.

Em duas festas de Natal para crianças na Figueira, uma na escola e outra na sociedade recreativa, ninguém quis recordar Joana. Uma senhora admitiu fazê-lo mas, como confessou ao DN, «para não estragar o ambiente e como outros pais terão pensado o mesmo, preferi não me manifestar».

Acrescentou que «este silêncio é também um sentimento de revolta contra a PJ pela falta de informação sobre o caso, apesar de o director nacional ter dito há cerca de dois meses que estaria para breve uma explicação. Muita gente tem colaborado e ajudado nas investigações e, afinal, nem nos dão qualquer satisfação».

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