Polícia vai interrogar novamente mulher que ouviu tiros

Testemunha foi interrogada pelas autoridades, mas houve o cuidado de não a expor. Agora dizem já não existir esse problema.<br />
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A polícia brasileira decidiu dar um papel mais central à testemunha que no passado domingo decidiu dar uma entrevista à SIC. A mulher, que diz ter ouvido os tiros que tiraram a vida a Rosalina Ribeiro, num local ermo nas proximidades do Rio de Janeiro, passará a ter mais projecção em todo o trabalho de investigação, uma vez que partiu dela a exposição pública, mesmo que o rosto não tenha sido revelado pela estação televisiva portuguesa.

"Ela foi contactada em Janeiro e nós preferimos não lhe dar muita centralidade por dois motivos: em primeiro lugar, as coisas que sabia dizer não eram determinantes nem precisas; em segundo, havia, da parte dela, algum receio de represálias", explicou fonte policial.

As autoridades brasileiras, que continuam a efectuar diligências para descobrir o que aconteceu a Rosalina Ribeiro, de 74 anos, no dia em que foi assassinada, frisaram que, a partir do momento em que a moradora falou à comunicação social, "tornou-se imperativo voltar a interrogá-la e a envolvê-la de forma mais declarada em todo este processo". A polícia carioca, ressalvou, no entanto, que "desde o início que esta mulher foi ouvida, mas decidiu-se preservar a sua identidade".

Outra das pistas agora exploradas pela Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro é o alegado motorista de um autocarro, que passou no local do crime àquela hora - e que pode ter assistido à fuga dos assassinos.

Na noite de 7 de Dezembro de 2009, Rosalina Ribeiro, companheira do falecido milionário Lúcio Tomé Feteira, terá sido transportada pelo seu advogado Duarte Lima desde a sua residência - no Rio de Janeiro - até Maricá, onde a esperava uma mulher, que até agora ninguém conhece.

Nem mesmo o advogado português, que disse sempre desconhecer a mulher- -mistério. Contudo, segundo o Correio da Manhã noticiou ontem, Normando Ventura, o seu colega brasileiro, terá recebido um telefonema seu - dias após o desaparecimento -, onde Lima lhe dizia que teria levado Rosalina para ouvir uma proposta de negócio. O jurista brasileiro, citado no jornal, foi ainda mais longe ao garantir que Duarte Lima era contra a venda desse quinhão dos direitos sucessórios sobre a fazenda de Pedra Grande, em Maricá, e mesmo assim levou lá a cliente.

A versão é contraditória àquela que o advogado português deu à polícia por fax, onde diz que teria sido a sua cliente a manifestar vontade de se deslocar a Maricá.

Quem, naquele dia, ouviu os tiros na rodovia RJ 118 em Saquarema, diz não ter dúvidas de que tudo aconteceu cerca das 21.30, mas os agentes policiais encarregados da investigação no Brasil não consideram esses dados precisos.

"A testemunha, residente no local, diz que era 21.30 e justifica a resposta com coisas que não são certas: ou porque estava a passar a carreira daquela hora ou porque estava dando um programa que passa por volta dessa hora. Aquilo que nós temos de perceber é que a carreira pode ter apanhado trânsito e o programa pode ter-se atrasado e isso muda tudo", sublinham as autoridades do Rio de Janeiro.

Ontem, em declarações ao DN, a polícia carioca disse existir mais pessoas que ouviram os tiros que terão alegadamente tirado a vida a Rosalina Ribeiro para além daquela que deu uma entrevista à estação portuguesa. "Nós ouvimos já três ou quatro moradores", concluíram.

VEJA AQUI O VÍDEO:

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