Polícia justifica buscas à Renamo com ordem judicial

A Polícia moçambicana justificou hoje as buscas à sede da Renamo na Ponta-Gêa e à residência do seu líder, Afonso Dhlakama, no Macúti, como "cumprimento da ordem judicial", para "neutralizar as ameaças" de boicote eleitoral.
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"O trabalho que a Polícia da República de Moçambique efectuou foi em cumprimento do mandato de busca e apreensão (do despacho do Tribunal Judicial da Província de Sofala)", precisou Guilherme Chaúque, chefe das operações do comando da polícia de Sofala, sem adiantar pormenores da ordem do tribunal.

A polícia antimotim, fortemente armada, invadiu a sede da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e simultaneamente do seu líder, Afonso Dhlakama, além do já falecido deputado do partido à Assembleia da Republica Fernando Mbararano, na cidade da Beira, para efectuar buscas e apreensão de material bélico. As residências estão isoladas.

Das operações, a polícia deteve seis guerrilheiros da Renamo, que se encontravam na sede do partido. Já na casa do seu líder, apreendeu 494 munições de AKM, 15 cartuchos, uma caçadeira calibre 12, além de 11 pares de farda, cinco de botas e patentes, nove boinas, seis cinturões, duas bandeiras e seis rádios de comunicação avariados. Na casa do deputado nada foi encontrado.

A polícia, disse, foi forçada a disparar durante as operações devido a uma tentativa de fuga dos guerrilheiros na sede da Renamo, que residiam nas vivendas junto ao edifício.

"As diligências estão em curso, porque como podem ver, onde existe munições, certamente existirá armas, razão da continuação das operações com vista a apreender armas, principal objectivo das buscas", explicou Guilherme Chaúque em conferência de imprensa.

A 21 de outubro o exército tomou de assalto e ocupou a base da Renamo em Sadjundjira, onde o líder, Afonso Dhlakama, vivia há um ano, e fugiu para lugar incerto há 11 dias.

De seguida a força conjunta da FIR e exército governamental ocupou esta semana a sede da Renamo no distrito de Maringué (Sofala) e Rapale (Nampula), que agrupavam os guerrilheiros do antigo movimento.

A Renamo repeliu quarta-feira a tentativa de ocupação da sua base em Sitatonga (Manica) e na quinta avançou para recuperar a base de Sadjundjira, ferindo gravemente três militares do exército e roubando as suas armas e munições.

Moçambique vive o seu pior momento de tensão político-militar, após o Acordo Geral de Paz (AGP), assinado entre governo e Renamo em 1992.

As eleições autárquicas, que a Renamo anunciou reiteradamente que vai boicotar, estão marcadas para 20 de novembro.