O plano de requalificação da Avenida da República, em Lisboa, avançado ontem pelo DN, começou já a receber críticas. O projecto, que será apresentado pela vereadora da Câmara de Lisboa Gabriela Seara, prevê o nivelamento dos edficíos daquela que é uma das mais importantes e simbólicas avenidas da capital..Contactado pelo DN, o arquitecto Egas José Vieira concorda que a Avenida da República necessita de uma intervenção. No entanto, mostra-se preocupado com a possibilidade de surgirem "aberrações" urbanísticas que estejam dentro das regras definidas pela autarquia. "Não conheço o plano urbanístico e nem sei se será em altura que se resolverá o problema", diz Egas Vieira, alertando para o facto de esta via ter várias falhas ao funcionais..Contudo, esclarece, a altura dos edifícios não o assusta: "Tudo depende de como o projecto for conduzido". Isto porque se a câmara atribuir a tarefa aos imobiliários corre-se o risco de não respeitar os critérios de qualidade. "Os construtores não são obrigados a apresentar projectos interessantes. Podem construir respeitando todas as regras, mas isso não os impede de fazer aberrações", adverte. Para evitar isso, o autor do Museu do Azeite, em Mirandela, diz que o ideal seria convidar arquitectos para o efeito..Por outro lado, o vereador do BE José Sá Fernandes, considera "lamentável, o que se propõe", já que o aumento de cérceas "só vai levar a que haja mais andares e mais estacionamento selvagem". Diz ainda que "há prédios devolutos à espera disto" e critica o facto de não haver um estudo ambiental: "Cérceas mais altas vão impedir a circulação de ar.". A solução passaria por "uma volta de 180 graus no trânsito, mais arborização e maior preocupação com os peões". Não foi possível obter, em tempo útil, reacções do PS e PCP.