Planeta extra-solar mostra atmosfera

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Tem poeiras, talvez nuvens de poeiras, e por isso é um planeta "escuro". De água não há rasto, mas esta não é uma conclusão definitiva. Pode ser que as poeiras estejam apenas a obscurecer a visão de moléculas de água que lá possam estar. Como se não bastasse - e aqui adensam-se mistérios - foi detectada a assinatura de um material desconhecido. Tudo junto pode parecer pouco, mas este é o resultado da primeira análise de sempre à atmosfera de um planeta extra-solar.

Esta estreia absoluta na astrofísica, que coloca num novo patamar o estudo dos planetas que existem fora dos sistema solar - conhecem-se já mais de 200 - é publicada na edição de hoje da revista Nature.

O planeta em causa, que orbita uma estrela a 150 anos-luz da Terra, na constelação de Pegasus, chama-se HD 209458b, um nome que está, também ele, a anos-luz de traduzir o interesse que a comunidade científica tem neste astro, desde que foi descoberto, em 1999.

O HD 209458b é um exoplaneta de tipo "Júpiter quente", ou seja, é um gigante gasoso que faz um percurso orbital muito próximo da sua estrela. Para se ter uma ideia de como é curta essa distância (pelos padrões do sistema solar, claro), é preciso dizer que este planeta gigante está dez vezes mais perto da sua estrela que Mercúrio do Sol.

Um das características importantes do HD 209458b para os cientistas é que ele é um dos 14 exoplanetas actualmente conhecidos que, visto da Terra, passa em frente à sua estrela na sua órbita, o que permite aos astrónomos fazer observações em cada uma dessas passagens.

As observações sobre a atmosfera do planeta foram feitas com o telescópio espacial Spitzer, da NASA, que já em Março de 2005 tinha captado pela primeira vez a luz (na banda dos infravermelhos) deste mesmo planeta situado na constelação de Pegasus.

A equipa de astrónomos norte-americanos, liderada por Jeremy Richardson, do Goddard Space Flight Center da NASA, fez a leitura espectroscópica da atmosfera do HD 209458b. O resultado mostra a presença de silicatos, que os cientistas pensam estar ali sob a forma de poeiras na atmosfera.

Um outro sinal detectado não corresponde a qualquer material conhecido na Terra. E água, nem vê-la. "Este é o resultado mais intrigante e excitante", admitiu Richardson. Os cientistas esperavam encontrar a assinatura química da água, uma vez que os modelos previam a sua existência num planeta deste tipo.

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