PJ prende brasileira que geria rede de prostituição no Algarve

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O Departamento de Investigação Criminal (DIC) de Portimão da Polícia Judiciária deteve, na quinta-feira à noite, uma cidadã brasileira, entre os 40 e os 50 anos, por suspeitas de angariação de raparigas no Brasil, e a sua posterior introdução ilegal em Portugal, para a prática da prostituição. Segundo apurou o DN, a PJ descobriu quatro apartamentos, três situados em Albufeira e um em Portimão, onde 12 jovens com idades acima dos 20 anos viviam aprisionadas, não tendo quaisquer contactos com o exterior, à excepção dos clientes.

O caso terá começado a dar nas vistas devido à extrema violência exercida sobre as raparigas por parte dos elementos da organização, que a PJ agora investiga. Conforme apurou o DN em algumas das zonas onde as raparigas eram obrigadas a prostituir-se, nomeadamente em Albufeira, as cenas de pancadaria eram ouvidas à distância pelos vizinhos, que começaram a sentir-se incomodados. Alguns, que pediram o anonimato, descrevem a situação como de "violência assustadora".

Segundo a PJ, as jovens eram angariadas em várias regiões pobres do Brasil por elementos da rede, os quais garantiam depois o seu transporte para Portugal. Contudo, assim que desembarcavam no Aeroporto de Lisboa, as raparigas começavam a perceber o verdadeiro filme de que eram protagonistas, já que os seus telemóveis e passaportes eram-lhes de imediato retirados. Quem as esperava à chegada era precisamente a cidadã brasileira detida na quinta-feira à noite.

As jovens eram levadas para o Algarve, nomeadamente para três urbanizações na cidade de Albufeira e uma outra numa zona de expansão de Portimão. Os contactos, de acordo com a PJ, eram efectuados através de telemóveis "anunciados" em vários jornais diários e também em alguns sites da Internet.

Não eram as jovens que faziam, porém, essas abordagens, mas sim os elementos da organização. As raparigas limitavam-se a receber os clientes nos quartos, sendo o pagamento feito directamente aos intermediários. E, para não denunciarem a rede aos clientes nem tentarem fugir, eram sujeitas a grande pressão psicológica e violência física, segundo apurou o DN. Na zona em Portimão onde funcionava uma das ramificações da rede de prostituição, alguns moradores contactados pelo DN dizem ter visto "várias brasileiras juntas". Não se sabe se foi no dia em que chegaram ou se tiveram autorização para sair. Entretanto, dizem, deixaram de ser vistas no local. Pelo menos nesta zona, ao contrário de outras em Albufeira, tudo funcionava na máxima discrição.

A cidadã brasileira detida foi presente às autoridades judiciárias, tendo-lhe sido aplicada a medida de coacção de prisão preventiva. Entretanto, até à hora do fecho desta edição, o grupo das 12 jovens brasileiras estava com a PJ de Porti- mão, a ajudar às investigações. A PJ acredita que as investigações poderão levar, nos próximos dias, à detenção de mais suspeitos envolvidos naquela rede de prostituição internacional. |

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