A subida de impostos sobre o tabaco em Espanha teve um efeito inesperado ao invés de aumentar os preços, a Philip Morris decidiu responder à medida com uma baixa radical (até 40 cêntimos) no preço das suas principais marcas. O anúncio foi feito ontem. Num único golpe, a tabaqueira conseguiu colocar os maços de Marlboro, Chesterfield e L&M a custarem menos dos que os rivais Fortuna, Ducados e Nobel, propriedade da hispano-francesa Altadis..A medida da Philip surpreendeu o mercado e apanhou a Altadis em contra-pé. Afinal, 24 horas antes, a empresa tinha anunciado aumentos de mais de 10% nas suas marcas para fazer face ao agravamento fiscal. Uma surpresa que se traduziu numa forte quebra das acções (ver caixa)..Com as mexidas, o Marlboro, marca mais vendida da Philip Morris em Espanha, passa a custar 2,35 euros em vez de 2,75 (uma quebra de 14,5%) e o Chesterfield vê o preço cair para dois euros, menos 16,6% do que antes. No caso do L&M, passa de 2,20 euros para 1,75, uma descida de 20,45%. Subidas, só na marca mais barata, a Next, que sobe 45 cêntimos, de 1,3o euros para 1,75..Quando aos maços da rival Altadis, seguem a tendência inversa. O Fortuna, o Nobel e o Ducados, três das marcas mais comercializadas, passam de 2,25 euros para 2,50, o que significa que passam a ser mais caros do que o Malboro. Os maços mais baratos da empresa também sobem o Ducados Rubio passa de 1,35 euros para 1,75..A guerra dos preços em Espanha surge na sequência da entrada em vigor da lei anti-tabaco, que limita o consumo em locais públicos, e do anúncio do aumento dos impostos. Por outro lado, a baixa de preços da Philip Morris é uma forma de lutar contra as marcas de tabaco de baixo preço que em 2005 duplicaram o volume de vendas em Espanha e representam já 17,8% do mercado..A Philip Morris vai manter os preços em Portugal. Segundo o DN apurou, ao contrário do que sucedeu em Espanha, a empresa não vai mexer nos valores de comercialização da suas marcas em solo nacional - isto numa altura em que o aumento de 35 cêntimos decidido em resposta à subida do Imposto Especial sobre o Consumo de tabaco de 12,9% vai começar a sentir-se no mercado. A justificação prende-se com a pouca margem de manobra que a fiscalidade nacional permite..Quem está preocupado são os vendedores. Segundo o líder da Associação Nacional de Grossistas de Tabaco, Jorge Duarte, a medida vai agravar a situação do sector, visto que os comerciantes portugueses não se podem abastecer em Espanha "Os baixos preços lá estimulam o contrabando e que os consumidores vão comprar directamente." C