Petkovic, a outra cara olímpica do Rio de Janeiro

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OFlamengo até um imperador tem (Adriano), tem "goleiro" como ninguém - Bruno. E até tem o outro "cara" olímpico do Rio de Janeiro, lar das Olimpíadas de 2016. O português tropical de Dejan Petkovic deve ser assim de ritmado, ele que anda pelo Brasil desde 1997 (com curtos interregnos: Itália (Veneza), Arábia Saudita (Al-Ittihad) e China (Shanghai Shenhua), ele que já anunciou que é por lá que ficará a viver quando acabar a longa carreira, começada na longínqua pátria (pelo menos lá nasceu: Sérvia). Aos 37 anos, ele é o rei do golo olímpico: oito cantos directos para a baliza.

E já se sabe, olímpico, hoje por hoje, rima com Rio de Janeiro. Assim como Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama (também por estes passou duas vezes - só faltou o Botafogo para o pleno dos grandes cariocas). Ou, para condensar o futebol, Maracanã - de facto, Estádio Jornalista Mário Filho, em honra do promotor do recinto e irmão do enorme Nelson Rodrigues, o da Pátria em Chuteiras, o dramaturgo que era um fervoroso adepto do Fluminense. E o que ele gostaria de Dejan Petkovic, aliás, Pet. Porque Nelson Rodrigues gostava de futebol (gostava mesmo era do Fluminense), mas gostava da dimensão humana do futebol, das histórias. E Pet não é só uma história do futebol, é um romance.

Quando era Dejan Petkovic, na então Jugoslávia (começou no Radnic aos 16 anos e 15 dias, recorde de juventude por lá, e depois projectou-se no Estrela Vermelha - tinha de ser: o estádio do clube de Belgrado chama-se Marakana), era conhecido por "Rambo". Diz muito do carácter, não? Impulsivo, contra tudo e contra todos, mas talentoso, virtuoso, cheio de futebol, malandro. Chegou ao topo numa altura em que o Estrela Vermelha era campeão europeu (1991), passou a ser parte das escolhas da selecção da Jugoslávia. E começaram os conflitos a sério: chateou-se com o seleccionador Slobodan Santrac, que o deixou de fora do Mundial 1998. Depois, bem, depois foi como que procurar uma nova pátria para as chuteiras - de Petkovic, na depois Sérvia, só se ouviu falar de um tal de Dusan, filho de Ilija, que em 2006 era seleccionador e tampouco recuperou Pet para a Sérvia (preferiu o filho contra apelos notáveis como o de Savo Milosevic).

Antes de desembarcar em terras de Vera Cruz, Pet ainda esteve em Espanha. E não numa qualquer Espanha do futebol: foi logo o Real Madrid (além de Sevilha e Santander). Mas em 1997, dois anos depois, a megalomania de um clube, aliada ao lirismo de um banco, levou Petkovic para o Brasil da Bahia (Vitória). E foi um amor tão grande que o ardiloso sérvio se desmultiplicou em missões: foram oito clubes da Bahia a São Paulo (Santos), de Minas Gerais (Atlético Mineiro) à Goiânia (Goiás) e, claro, ao Rio de Janeiro. Na nova pátria da chuteiras, Pet fez história de canto e não só. Na pátria do futebol (a Inglaterra e até a China devem discordar), chegou a discutir-se a adopção de Pet para a selecção que costuma ser apenas de exportação. Imagine-se.

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