Pés em casa alheia

Quem pensa em passeios de pés descalços à beira-mar também pensa em picadas de peixe-aranha. Mas escondidos nas praias vivem outros animais marinhos bem capazes de farpear ou morder e de estragar um dia que se quer prazenteiro. Os outros danos contam-se com mais ou menos dor, com maior ou menor inflamação. Reacções graves acontecem, mas são raras.  <br /><br />
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1 .
Raios e espinhos

Quando pensamos em mordeduras de animais marinhos, logo nos vem à memória o peixe-aranha. E com razão! Enquanto os maiores, com 15 a 20 centímetros de comprimento, costumam viver afastados da praia, os mais pequenos «moram» na areia, a pouca profundidade e quando sentem a pressão de um objecto – por exemplo, um pé – ei-los a atacar os banhistas desprevenidos.
Quem já teve o azar de pisar um peixe-aranha sabe como é intensa a dor da sua picada e entende bem a cautela dos pescadores quando os retiram das redes. Com dorso amarelo-acastanhado e ventre esbranquiçado, o peixe-aranha tem os olhos na parte superior da cabeça e um espinho venenoso junto de cada opérculo branquial. Igualmente veneníferos são os três raios que tem junto da primeira barbatana dorsal, que se identifica pela cor preta.

2.
Raias e ouriços-do-mar

Bem capazes de nos tirar do sério e acabar com a tranquilidade e o prazer que se esperam de um dia de praia são os ouriços-do-mar e as raias-lixa. Os primeiros, embora venenosos, apenas costumam provocar pequenas lesões e alguma inflamação nos tecidos se não se extrair imediatamente os espinhos, que são muito finos e penetram com facilidade na pele. A sua remoção previne os enquistamentos, as erupções cutâneas e as dores musculares e articulares, raras mas muito incomodativas. Já as raias – aqueles peixes simpáticos que parecem estar sempre a sorrir mas têm espinhos venenosos na parte superior da cauda – não hesitam em picar os veraneantes com quem se cruzam dentro de água. Quando se sentem ameaçadas, abanam a cauda e em poucos instantes cravam os espinhos no pé, na perna ou noutra região do corpo. Segundos depois, a estrutura que reveste os espinhos rebenta e uma dor intensa – que faz ferida, sangra e causa inchaço – começa a fazer sentir-se no local da picada. A inflamação e a dor persistem cerca de 48 horas e só raras vezes surgem efeitos mais graves (enjoos, fraqueza, náuseas e ansiedade e até vómitos, diarreia, sudação, cãibras generalizadas, dor na axila ou na virilha e dificuldades respiratórias).

3. Moluscos e anémonas
As raias não são muito comuns nas praias portuguesas, ao contrário dos moluscos – por exemplo os caracóis do mar – e bivalves –  amêijoas, ostras e vieiras – que  também picam e são venenosos (provocam dor, inflamação, vermelhidão e tumefacção da pele.)
Quem tem aguilhões muito fortes, são as anémonas, as medusas e as actínias (também chamadas «caravelas-portuguesas») e as suas picadas provocam erupções avermelhadas, dor e comichão. Pessoas sensíveis ou alérgicas devem ter atenção a sintomas como debilidade, náuseas, dores de cabeça, espasmos musculares, congestão dos olhos e nariz, suores, alterações do ritmo cardíaco e dor no peito. São reacções pouco frequentes, mas quando surgem exigem cuidados médicos imediatos.

4.
Saber é poder

Agora que o sol e o calor do Verão convidam a um mergulho no mar e acenam com passeios pela praia, o que menos apetece são os incómodos provocados por picadas e mordeduras de animais marinhos. Usar uns chinelos ou uns sapatos de borracha (vendem-se em qualquer hipermercado) para caminhar à beira-mar é uma ideia a ter em conta. Quem for apanhado desprevenido não deve entrar em pânico. Em regra, os nadadores-salvadores sabem remover os espinhos e tratar as pequenas feridas e dispõem de um kit de primeiros socorros (obrigatório em praias com vigilância), pronto e preparado para ser usado nessas e noutras circunstâncias. Perante casos mais severos – um envenenamento ou uma reacção alérgica – os doentes são encaminhados para uma unidade de saúde, onde receberão os cuidados médicos adequados. Numa emergência, já sabe, deve ligar sempre 112. Pelo sim pelo não, fique a saber que as perfurações causadas por espinhos de peixes, que devem ser removidos, beneficiam com a imersão da zona afectada em água bem quente (excepto os espinhos dos ouriços-do-mar), durante trinta a noventa minutos, pois o veneno dissolve-se por acção do calor. O controlo da dor faz-se com um medicamento analgésico, durante 24 ou 48 horas. Se o inchaço e a dor persistirem, recomenda-se uma consulta médica.  

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