Um perito contratado pelo advogado João Nabais explicou ontem em tribunal que os dois projécteis que em 2005 atingiram o filho de Nelinho, após uma discussão num posto de combustível em Benfica, Lisboa, poderão não ter sido a causa da morte. Perante a revelação, Paula Marques, mãe da vítima, emocionou-se e não conseguiu esconder a sua revolta. Acabou por ser retirada da sala a braços, para não perturbar a última audiência antes das alegações finais, no Campus de Justiça, em Lisboa..Manuel Paulo disse estar em tribunal a título privado, arrolado por João Nabais, advogado do arguido. Explicou que trabalhava no Instituto Nacional de Medicina Legal e que fazia este tipo de "trabalhos". O DN apurou que, afinal, ele já está reformado. Ainda assim, "os médicos podem exercer a nível privado desde que fora da comarca onde prestam o serviço público", disse ao DN uma fonte da Medicina Legal..Manuel Paulo, baseado no relatório da autópsia e nos documentos que constituem o processo, revelou que a trajectória dos dois projécteis não atingiu zonas vitais. Mas quando o advogado da defesa, José António Barreiros, lhe perguntou se o corpo em movimento poderia alterar as trajectórias, o perito não teve como negar.."Não percebo, entrou aqui como perito, quando instado diz que está a título privado. Ainda por cima vem dizer o contrário do que os seus colegas que viram o corpo disseram sem sequer os ter contactado", disse-lhe Barreiros. "Não tenho de o fazer. Neste caso até conhecia os meus colegas, noutros não", respondeu-lhe o perito..Na assistência, Nelinho, ex-jogador do Benfica, tentava controlar os nervos. "É só mentiras", dizia baixinho, já cansado de nunca mais ver o fim do julgamento..As alegações finais acabaram por ser marcadas para outra sessão. Já na rua, Nelinho explicou "que não tem de aguentar tudo o que ouve", para justificar os gritos de revolta da mulher. No julgamento do caso ocorrido há quase cinco anos, desconhece-se quando será a sentença.