Aos 42 anos, ainda se sente "Rapazote"?.Ainda! Sinto-me muito novo. Tenho muita energia e, acima de tudo, gosto muito do que faço..De onde veio o nome artístico?.Rapazote é apelido. Apelido que também já vem de uma alcunha de há cinco gerações..Porquê Pêpê?.Tenho um ano e nove meses de diferença do meu irmão mais velho, que não sabia dizer Pedro e ficava-se pelo Pêpê. Ficou assim até hoje..Há quem lhe chame Pedro?.Ninguém me chama Pedro a não ser a minha mãe para me puxar as orelhas. De resto, foi sempre Pêpê, mesmo com os professores na escola. Pedro não existe para mim..Regressou à antena da RTP1, na passada segunda-feira, não como Pedro mas como Diogo em Bem-Vindos a Beirais, um gestor bem-sucedido que muda de vida e vira agricultor. Via-se a fazer uma mudança dessas na sua vida?.Claro que sim. Falo nisso há muitos anos..Porquê? Gostava de voltar para Trás-os-Montes, onde tem raízes?.Adoro o campo. Mas tomar uma decisão dessas e voltar para a aldeia, onde nasceram os meus bisavós, acarreta muita coisa, principalmente com crianças..Depois de ser médico, de ter um stand de automóveis, agora virou agricultor. Calculo que tenha andado no campo....Não fiz grande preparação como agricultor. Tenho noção de como se trabalha em estufas, mas como não entramos em pormenores técnicos... Aliás, é suposto ele não saber rigorosamente nada quando chega e isso é uma vantagem para o ator..Que diferença há entre esta série de longa duração e uma novela?.Tem que ver com a estrutura de uma série. Gravamos ao ritmo de uma novela mas com episódios fechados. Em cada um existe uma história que abre o capítulo e fecha. Há muitos guionistas a escrever e cada um vai escrevendo um ou dois episódios de vez em quando, e acaba por ser muito interessante. E tem um teor de comédia muito simpático e um elenco que se presta a isso..É mais estimulante do que uma novela?.Sim. Depende das personagens também. Mas neste caso falo da estrutura do produto..Este ritmo de gravações tão intenso é bom para os atores?.Não. Desejava ter o dobro do tempo ou o triplo, todos desejávamos..Mas isso é difícil....Com os orçamentos que temos, é impossível, há que perceber isso. Não há outra forma. Não somos um mercado exportador. Um dia, quem sabe, se nos tivermos em melhor conta. Isto não é uma boca para ninguém, atenção. É um pensamento global....Faz sentido a RTP1 passar uma série de segunda a sexta-feira em prime time quando a oferta das privadas é ficção?.Esta série é uma alternativa pura às novelas. Não tem a mesma estrutura nem mesmos os condimentos. Não há ambição, traição. Há um triângulo amoroso, apesar de achar que o mais interessante nesta série nem é esse triângulo. Isso já toda a gente viu, ainda por cima não é um triangulo amoroso muito quente. É tudo morno. O mais engraçado é tudo o resto. Tem os condimentos de uma aldeia típica..Isso é o melhor de Bem-Vindos a Beirais?.Sem dúvida. Tem de ser uma alternativa. A série reúne um pouco do humor do cinema português dos anos 40, a época de ouro. Parece que escolheram os "bonecos" no bom sentido, as pessoas muito caracterizadas de uma aldeia.."A RTP tem de promover melhor o serviço público".Esta série substituiu Sinais de Vida, que não vingou nas audiências. Vai superá-la?.Depende de muitos fatores. É um caminho que a RTP tem de percorrer. As novelas, exatamente por terem os sete pecados mortais, despertam muita curiosidade. Mas a grande mais-valia desta série é o humor. Comédia de situação. Quem estiver farto de novela vai ver. Há pessoas que não vão mudar, como sabemos. A RTP está no meio de uma grande reestruturação. Não combate com as mesmas armas que as privadas, não é a sua função, embora com esta reestruturação tenha de caminhar nesse sentido para ganhar audiências..A RTP está num campeonato diferente?.Tudo indica que virá a trabalhar no mesmo campeonato, mas como serviço público e televisão estatal nunca trabalhou no mesmo campeonato. Há uma crítica que sempre fiz à RTP que tem que ver com a autopromoção. É fundamental. Que me interessa se tenho o melhor serviço público, os melhores programas se não sei que existem? A RTP tem de promover melhor o serviço público e isso tem muito que ver com o desnivelamento de audiências..Esta série está a ser bem promovida?.Reparei que houve promoção como não existiu com algumas anteriores, embora Pai à Força tivesse tido bastante..É um passo em frente?.Sim. Não falando do que não sei, acho que a RTP está no caminho de promover os seus produtos, pois terá de viver mais de receitas de publicidade, que já são péssimas em todas os canais, do que propriamente da contribuição do audiovisual e do Estado..Enquanto espectador ligaria o televisor para acompanhar de segunda a sexta-feira uma série em horário nobre?.Sem dúvida alguma. Posso considerar que a minha personagem é das menos interessantes. É o gajo que vem da cidade. Os engraçados são os que vêm da aldeia..Preferia interpretar outra personagem?.Tenho-me divertido imenso, mas faria com mais facilidade uma ou outra personagem..As audiências preocupam-no?.Nunca me preocuparam. O gozo tiro-o de estar num palco. Ou de estar num set. Quando corta, cortou. Fiquei contente com o meu trabalho ou fiquei danado, e vou para casa danado, contente ou orgulhoso. As audiências não são comigo nem devem ser com nenhum dos atores. Isto é um produto que se encomenda através de uma estação televisiva e sai-me das mãos. É como acontecia quando era arquiteto, encomendarem-me uma casa e depois pensar "que mal que os moradores cuidam desta casa". O que tenho eu que ver com isso? A casa é deles, só foi minha no processo criativo.."Espero voltar a trabalhar com a TVI em breve".Está no ar em dois projetos, uma vez que ainda pode ser visto em Dancin" Days. Não teme que a sua imagem se desgaste?.Não sei. A verdade é que as pessoas confundem muito as personagens com a vida real. Mas acho que não confundem as personagens. Agarram-se a um produto ou a outro..Dancin" Days destronou as novelas da TVI. O que se passou para isso acontecer? Mérito da SIC? Demérito da TVI?.Talvez um bocadinho das duas coisas. Tem que ver com cansaço e é cíclico. Um dia, não sei quando, as pessoas vão fartar-se de novelas. Ou não, como acontece no Brasil, que há 50 anos é novela após novela e não se quer outra coisa, e não vale a pena inventar. Por um lado, ainda bem que assim é porque Portugal é um país que não tem espaço para séries ou telefilmes de grande orçamento. Se não fossem as novelas, os atores estariam todos desempregados..O que teve esta novela que as anteriores não tiveram?.A SIC passou por uma reestruturação. Falo obviamente da chegada da Gabriela Sobral, da Júlia Pinheiro, gente com muita experiência não só em TV como em ficção, e que já estiveram na TVI. É um caminho lento e sempre pensei que, com a agressividade que a TVI tem, fosse mais difícil uma novela da SIC chegar a líder de audiências.....A Globo também ajudou?.Não tenho dúvidas de que sim..Participou nas duas coproduções que já foram feitas. Notou muitas diferenças?.Pensei mais nisso em Laços de Sangue, que demorou muito tempo e mesmo assim havia sempre muita coisa nova a acontecer..Preocupa-o o crescimento que as novelas brasileiras voltaram a ter por cá?.Depende do produto. Dizem que Avenida Brasil é a melhor novela de sempre. A verdade é que, quando mudo para a Avenida Brasil, há duas protagonistas que não gosto de ver. É sempre uma luta de galos tão permanente, com tanta gritaria. Vejo muitas vezes os momentos de tensão ou de discussão nas novelas brasileiras, e a forma realista de estabelecer a coisa era, ao fim de uma discussão daquelas, ou se sacava de uma navalha ou de uma pistola e acabava-se a discussão. As coisas são tão lá em cima... É impossível gritar mais e insultar mais..Já fez várias novelas para a TVI, mas não o temos visto nos ecrãs de Queluz de Baixo. Porquê?.Não tem calhado. Têm-me convidado quando já aceitei outros convites. É pura questão de timing. Não é nada contra a TVI. É uma das coisas que me chateiam nesta profissão: não podermos fazer quatro coisas ao mesmo tempo, que podia fazer quando era arquiteto..Sente que a sua imagem está mais ligada à SIC e à RTP1?.Sim, por não trabalhar para a TVI há alguns anos. Mas muito recentemente recebi outro convite da TVI..No futuro, poderemos vê-lo numa produção de Queluz de Baixo?.Espero que sim. Só tenho coisas boas a dizer da Plural e da TVI..Laços de Sangue ganhou um Emmy. A candidatura para Dancin" Days já foi entregue. Sente que desde que foram premiadas se pensa num Emmy quando se começa a gravar uma novela?.Isso anda no ar. Já ouvi, já senti isso. A verdade é que o Emmy de novela é latino, venezuelano, mexicano, colombiano, português, e andamos nisto, ou seja, é muito bom para reafirmar a qualidade das novelas portuguesas, é um reconhecimento de que nós fazemos com 5% do orçamento de uma novela brasileira e ganhamos um Emmy..Também já foi nomeado para vários prémios internacionais. Como lida com essas nomeações?.Não me aquece nem me arrefece por aí além..Mas ganhar faz bem ao ego....Claro, mas sou muito pragmático em relação aos prémios, porque a pré-seleção faz-se a partir de um painel de jurados que tem os seus parâmetros predefinidos. Estamos sujeitos a tantos processos e há, muitas vezes, falta de imparcialidade, e é preciso ter isso em consideração.."Estimula-me mais uma personagem secundária do que um protagonista".Temo-lo visto mais em séries do que em novelas. O que lhe dá mais prazer fazer?.As séries normalmente dão-nos mais tempo..E mais prazer?.Dão-nos mais tempo, há mais tempo para a escrita, mais tempo para todos. Não é o caso desta. Como não há uma continuidade de história, dá sempre mais gozo fazer..Curiosamente, em séries costuma ser protagonista e em novelas mais secundário....É curiosamente mesmo. Acho eu....Ser protagonista não o estimula?.Estimula-me mais uma personagem secundária do que um protagonista..Porquê?.Tenho mais tempo para a trabalhar. Ser protagonista de ficção televisiva em Portugal é tramado por aí. Mas já fiz personagens muito engraçadas. Gostei imenso de fazer Pai à Força, pela personagem e por muitas outras coisas. E há o senão de ficar sem vida para o trabalho, mesmo que abdique da minha vida pessoal, depois fico danado por não ter tempo para melhorar a contracena..Pai à Força foi um projeto que o marcou....Foram três temporadas, foi um projeto muito interessante a todos os níveis..Gostava de voltar a fazer?.Não me importava, não..E sente que a imagem que as pessoas têm de si também está ligada a Pai à Força?.Sim, muita gente tem essa imagem de Pai à Força. Continuam a dizer-me isso na rua..Acredita que de alguma forma as personagens que tem feito são parecidas, que o público tem ideia de si como engatatão das novelas?.Tem calhado....Sente que tem um rótulo?.Talvez. Um rótulo de mulherengo, mas não sou. Há muito a ideia de que as personagens que faço são assim. E o público interpela-me, muitas vezes, como sendo o safado, o malandro. Mas não sou o malandro que pensam..Mas esse lado malandro já passou para si?.Não, nunca fui. Sempre fui muito correto. Podemos dizer que sempre fui mulherengo, mas mesmo como mulherengo era correto, nada de andar com três ao mesmo tempo [risos]..Não está cansado deste tipo de papéis?.Não, depende sempre dos projetos..Tem estado ligado a personagens mais cómicas. Não gostava de fazer algo diferente?.Gostava de ter um desafio que me levasse a um extremo mais sério, dramático. Uma personagem mais dura, cheia de negativismo, que transmitisse uma carga negativa. Ou um psicopata..Que lhe batessem na rua?.Sim. Ou mesmo um tipo cheio de charme que fosse manipulador.."Trago menos de 50% do meu ordenado para casa ".Uma das críticas apontadas às novelas da TVI é que repetem sempre os mesmos atores. Isso é bom?.Como espectador prefiro ver elencos diferentes em produtos seguidos, porque acho que não faz muito sentido. A certa altura já fomos mãe e filho quatro vezes seguidas. As pessoas baralham as coisas e, acima de tudo, cansa pela repetição. A história pode ser completamente diferente, agora as relações entre as personagens são muitas vezes as mesmas e parece que estamos a ver um ato contínuo de novela de há quatro anos para cá..É saudável sair de um projeto televisivo e entrar logo noutro?.Não, não é saudável para nenhum ator..Mas já passou por isso. Fez Dancin" Days, começou Bem-Vindos a Beirais....Sim, mas tenho hipótese de escolha, não tenho exclusividade e não sou obrigado a coisa alguma a não ser àquilo que aceito..Nunca teve uma proposta para ser exclusivo de um canal. Gostava?.Toda a gente gostaria de receber uma proposta desse género. Se a aceitaria ou não, teria de pensar. Havia muitos fatores. E o fator crise é muito importante neste momento..Como é viver sempre na instabilidade?.Felizmente não me posso queixar. Nós, atores, estamos sempre sem rede, mas até agora a minha falta de rede nunca me fez desequilibrar uma única vez. E já trabalho assim há muitos anos. Neste momento tenho trabalho, mas a verdade é que a qualquer momento posso deixar de ter..O público tem ideia de como é a vida de ator?.Acho que não. Se as pessoas soubessem o que é fazer um "biscate" aqui ou ali e pagar uma pipa de massa de segurança social... Os governos, o Estado não fazem ideia. Eu trago menos de 50% do meu ordenado para casa..Foi essa instabilidade que o fez apostar numa carreira internacional?.Sem dúvida. E novos desafios, ter outras saídas..O que o seduz lá fora que não há cá dentro?.Tempo e dinheiro..Paga-se melhor lá fora?.Sim, mas quando digo tempo e dinheiro refiro-me ao produto, nem sequer é para mim. É fazer as coisas e podermos dizer que não temos qualquer desculpa para as fazer mal..Vê-se a ir para o estrangeiro a tempo inteiro?.Era capaz de deixar Portugal e mudar-me para o estrangeiro, sim. Levando a família, claro, e sempre com um pé cá..Ser poliglota ajuda-o nesta missão?.Sim. É fundamental..Tem conhecimentos de inglês, espanhol, francês e italiano. Fala fluentemente todas as línguas?.Não. O italiano está um bocadinho esquecido, mas facilmente se recorda para representar. Ainda agora fiz uma audição para um filme nos Estados Unidos em que faço de italiano acabadinho de chegar há um ano, mas já em estado adulto. E é engraçado que os americanos quando dizem que o ator fala uma língua estrangeira nunca traduzem. Dizem: "Isto deverá ser dito em russo." E fica ao nosso critério traduzir..Que línguas lhe falta falar?.Muitas, mas sinto-me confortável com estas..No ano passado esteve em Los Angeles para participar na série Shameless. O que aprendeu com esse projeto?.Muita coisa, formas de trabalhar. Aprendi que há muito dinheiro, que as cenas estão montadas e os atores têm tempo para chegar lá. Senti-me completamente dentro da personagem. Se disser que preciso de uma navalha ou de dois talheres é isso que me trazem, e é assim que se faz a cena, a não ser que exista objeção por parte da realização. Isso dá-nos uma grande liberdade e faz-nos lembrar o que é representar..Abriu portas em terras do Tio Sam?.Naturalmente. Ter créditos no IMDb.com nos Estados Unidos é muito importante..Voltar aos EUA está para breve?.Tive uns convites, mas tive de recusar, e não vale a pena revelar quais foram, porque já estava comprometido com esta série..Foi fácil voltar a Portugal depois de participar numa série com este impacto?.É fácil voltar logo, porque estava a sentir-me muito sem família, mas também é difícil. E obviamente que fica o sentimento de pena por não sermos assim, não termos aquele dinheiro. Mas não vale a pena pensar muito no assunto..Participar numa série norte-americana fez que os portugueses o vissem com outros olhos?.Não sei, mas penso que sim..É algo que não o preocupa?.Também não me preocupo com isso. Vamos lá ver uma coisa: é bom ter reconhecimento nacional, mas estou a fazer um produto no estrangeiro. Se calhar interessava-me mais impressionar lá fora para me darem mais trabalho lá, embora ache que possa ter mais trabalho cá pelo facto de ter tido algum sucesso lá fora..Vê-se a recusar projetos de maior impacto em Portugal por papéis secundários lá fora?.Vejo. E é bom representar numa língua diferente. Sinto-me muito mais solto..Não é mais difícil?.Não. É mais fácil representar noutras línguas que não a portuguesa, porque sou muito cerebral em muita coisa e tenho muito respeito pela nossa língua.."Tenho imensas falhas. Sou um ator médio".Gosta de se ver no ecrã?.Não, porque acho sempre que podia fazer melhor. Sou bastante crítico. Mas também, de vez em quando, fico orgulhoso de ver uma cena e dizer "bom trabalho"..É fácil para si lidar com a crítica?.É. Não ligo à maior parte das críticas que me fazem. São críticas de pessoas que ou desconheço ou não respeito. Ligo às críticas das pessoas de quem sou mais próximo e que respeito. É assim que devemos fazer..E se estiver na rua e alguém o abordar?.Não me aquece nem me arrefece..Não liga ao que essa pessoa lhe vai dizer?.Não. Normalmente as críticas até são boas. Mas sobe-me o ego? Não. Nem um bocadinho..Pêpê é um bom ator?.Tenho imensas falhas. Sou um ator médio. Às vezes preguiçoso mais do que desejaria, mas a preguiça também depende do entusiasmo com que se vem para um projeto. Dou 300% num projeto pelo qual estou excitadíssimo..Já fez teatro, televisão, cinema. Onde se sente melhor?.O palco é aquela coisa....Mas não faz teatro desde meados de 2007....É verdade. Provavelmente hei de fazer este ano ainda, se tudo correr normalmente..Sente saudades?.Sinto, sinto, claro..Porquê este tempo todo de ausência?.Não sei. Há que pensar na vida e ver que fazer teatro e televisão ao mesmo tempo é deixar de ver a família, e depois recusar um projeto que me paga seis meses de ordenado televisivo e trocá-lo por cinco meses de ordenado de teatro... Tenho de pensar que não posso..Faz televisão pelo dinheiro?.Não, não faço só pelo dinheiro. Mas já pensei: "Apetecia-me mais fazer esta peça, mas não posso.".Já prescindiu do teatro para fazer televisão?.Sim, já tive que prescindir do teatro para fazer televisão por precaução..É um ator bem pago?.Depende da perspectiva dessa pergunta. Imagino que seja mais bem pago do que a maior parte dos atores deste país... Sou pago em função da medida das possibilidades deste país..A vida de ator é fácil?.Não é nada fácil ser ator. Corre-se por gosto..E às vezes não se cansa?.Não, até agora ainda não me cansei. Mas tem coisas más. A nossa vida pessoal é terrível. Os nossos horários... ter filhos e tentar acompanhá-los com horários decentes é impossível, principalmente num casal de atores...."Tenho saudades de trabalhar com a minha mulher".É casado há vários anos com a atriz Mafalda Vilhena. Como é a gestão da vida de dois atores em casa?.Como todos os outros. Se calhar com mais alguma dificuldade, porque os nossos horários nunca são iguais..E como é trabalhar com a Mafalda?.É fantástico. Tenho saudades de trabalhar com ela. Se calhar até já nos convidaram e não soubemos, porque tenho recusado tantos convites....Têm duas filhas, Leonor, de três anos, e Júlia, de oito. Se daqui a dez anos uma delas disser que quer ser atriz, o que responde?.Digo-lhe que pode ser tudo, mas de preferência que seja duas ou três coisas. Por seguraça. Que faça coisas díspares, porque nunca se sabe onde é que isto vai parar. Neste país menos ainda. Temos gente dos sete instrumentos..Como é que o mundo da representação surgiu na sua vida?.Não queria ser ator, mas este mundo surgiu com teatro amador, quando ainda era arquiteto..Foi fácil chegar a este mundo?.Não, foi devagarinho. Fazia teatro, depois convidaram-me para televisão, pelo Francisco Nicholson. Tudo surgiu a partir daí. Depois tive de deixar a arquitetura para poder viver disto..Hoje é mais fácil do que há alguns anos?.É mais difícil. Há mais concorrência..Exerceu arquitetura durante 16 anos. Tem saudades desses tempos?.Algumas, mas nem por isso..Vê-se a deixar o mundo da representação e voltar à arquitetura?.Só em caso de necessidade, neste momento não..Qual é a pior obra de arquitetura feita no nosso país?.Não faço ideia. Há algumas, mas não vou dizer. O nosso pior defeito é o ordenamento do território, mais do que a qualidade da arquitetura. É um desordenamento do território, desde 1975 que é brutal..Como era o Pêpê em criança?.Fazia muitas asneiras, era muito inventivo. Não era mau miúdo, porque depois sentia-me extremamente culpabilizado e cheio de remorsos. Mas era um bocado estabaredas. Mas muito bom aluno, sempre. O melhor aluno sempre..Era importante para si ser o melhor?.Era muito importante e era natural. Adorava estudar, sempre adorei estudar..Que diferenças há hoje entre o Pêpê adolescente e o Pêpê de 42 anos?.Talvez a maior seja ser casado e ter filhas..Leia a versão integral na edição em papel da Notícias TV