Pensou que perdia o braço ao ser mordida por víbora-cornuda

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Ivone Costa estava a apanhar medronho na Foz do Farelo, em plena serra de Monchique, quando sentiu o que na altura lhe pareceu ser uma picada de agulha no dedo indicador direito. Percebeu ter sido mordida por uma cobra quando viu o animal afastar- -se. Gritou pelo marido, que ainda chegou a tempo de matar uma víbora, com cerca de 40 centímetros.

Acabou por ser o filho quem descobriu estar perante uma víbora-cornuda, uma das duas espécies de serpentes venenosas que existem em Portugal. O caso ocorreu há mês e meio.

"No Hospital do Barlavento disseram-me que tinha azar porque não existem medicamentos para estas mordidelas", contou ao DN Ivone Costa. Seguiram-se dias de internamento em Portimão e idas constantes ao Hospital de Faro, para consultas de cirurgia plástica e sessões de terapia. "Pensei que perdia o braço quando este inchou e deixei de o conseguir mexer", desabafou a mulher de 38 anos ao DN, explicando que o susto foi maior porque "no Hospital do Barlavento os médicos afirmaram desconhecer as consequências do veneno".

O investigador José Teixeira, do Centro de Investigação de Biodiversidade no Porto, alerta que "nunca se devem fazer garrotes ou tentar chupar o veneno", recomenda, sim, uma rápida deslocação ao hospital mais próximo, ainda que não existam antídotos para o veneno da cobra cornuda. Das dez espécies que existem no País, apenas duas são venenosas, e só excepcionalmente podem ser letais, em crianças, idosos ou pessoas debilitadas.

Em Monchique, apenas pode ser encontrada a víbora que mordeu Ivone e que o marido garante avistar com frequência. José Teixeira recomenda a utilização de calçado apropriado a passeios em montanha. "Trata-se de uma serpente que adquire a cor do lugar onde se encontra, é fácil de ser pisada. A tendência é para morder os pés ou a zona do tornozelo", explica, fazendo também questão de lembrar que a víbora foge da presença humana e faz muita falta na cadeia trófica. "Come os ratos que invadem as culturas e servem de presa, por exemplo, a aves de rapina", justifica.

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