Pensos rápidos

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Provas de aferição, indisciplina, número de alunos por sala de aula, falta de auxiliares, percentagens do Orçamento. Todos os dias há notícias sobre educação e, na maior parte das vezes, pelas piores razões. Ontem foi anunciado que as provas de aferição não serão obrigatórias neste ano letivo e que cada escola pode decidir, dando fundamentos para isso, fazê-las ou não. Conhecida no final do Conselho de Ministros, a opção vem alterar aquilo que tinha sido dado como certo e, saudavelmente, resulta de troca de opiniões com os envolvidos, incluindo até a participação da conselheira do Presidente da República, a ex-ministra Isabel Alçada. As reações imediatas foram as inevitáveis: falou-se em recuos, compromissos, hesitações, fraquezas, ao mesmo tempo que, certamente, houve quem sentisse alívio. O problema é que, a cada medida avulsa, resta a sensação de que se está constantemente a pôr pensos rápidos em pequenas feridas, em vez de atacar um todo que está manifestamente doente. Tendo como firme ponto de partida que os alunos e o saber são a razão de ser de todo o sistema e que a comunidade da educação merece o maior respeito, permanece sem resposta a pergunta: quando começa a ser estudado o fundo da questão? Parece evidente que o modelo atual de transmissão do conhecimento nas escolas está desadequado do século XXI. Não está em causa fazer da aprendizagem uma festa constante, nem descartar o rigor e a exigência, muito menos fazer do ensino uma espécie de ocupação de tempos livres obrigatória. Será que existe uma equipa no ministério (ou interministerial) a preparar uma mudança global que faça a diferença? Não interessa importar modelos mas também não é preciso inventar a pólvora. Faz falta a vontade política. Mais, a coragem política. Cada dia que passa é mais um dia de atraso na reflexão conjunta que tem de voar com segurança para lá do imediatismo e dos ciclos eleitorais.

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