Em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, Jerónimo de Sousa disse que os grandes incêndios que, em 17 de junho de 2017, devastaram a região e causaram mais de 60 mortos, levaram à produção de "relatórios e mais relatórios", além de "muita legislação e uma imensidão de despachos"..Contudo, na sua opinião, a situação da floresta e da segurança das populações nos concelhos na altura mais flagelados pelos fogos, sobretudo nos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco, continua idêntica à que antecedeu a tragédia de há cinco anos.."O cadastro florestal continua a marcar passo", afirmou o líder comunista, que falava aos jornalistas nas margens da albufeira da barragem do Cabril, após ter participado numa reunião com os Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande..O êxodo das populações do chamado interior deve-se também ao "desmantelamento dos serviços públicos essenciais à vida", salientou Jerónimo de Sousa, ao responsabilizar governos sucessivos por "uma política de desprezo pelo mundo rural e pela floresta".."Uma política desastrosa que não foi capaz de defender a pequena agricultura", nem reduzir a tragédia dos incêndios em Portugal, incluindo em zonas montanhosas onde "o valor pago pela madeira continua como há 20 anos", referiu..Para Jerónimo de Sousa, "a maior parte dos apoios à floresta vão para onde há menos incêndios"..A situação da floresta portuguesa e do interior em geral, defendeu, deveria ter melhorado desde 2017, "tivesse o Governo aprendido" com a devastação provocada pelos fogos de 17 de junho desse ano, a que se seguiram os de 15 de outubro, também em concelhos na região Centro, como Lousã, Penacova, Vila Nova de Poiares, Tábua e Oliveira do Hospital, entre outros.."A verdade é que os bombeiros têm as verbas cada vez mais reduzidas", criticou o secretário-geral do PCP, que solicitou ao Governo um reforço do financiamento das atividades destas instituições de socorro..Por outro lado, após ter viajado por estradas da região, "salta à vista" que "continua a haver perigo lactente" na maior parte das áreas florestais queimadas há cinco anos, onde as espécies, especialmente eucaliptos e mimosas, crescem desordenadamente por regeneração natural, sem qualquer intervenção pública ou privada, e já atingem nalguns casos mais de 10 metros de altura.."É importante vir aqui, para conhecer a realidade e agir no quadro institucional", preconizou ainda.