PCP acusa Governo de "desprezar" tapete de Arraiolos

O PCP acusou hoje o Governo de "desprezar" o tapete de Arraiolos (Évora), que aguarda há vários anos pela sua certificação, exigindo que seja cumprida uma resolução da Assembleia da República (AR).
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"A falta de medidas do Governo e de resposta às questões colocadas é reveladora do desprezo a que o Governo PS está a votar o tapete de Arraiolos", considerou o Grupo Parlamentar do PCP, num comunicado hoje enviado à agência Lusa.

Segundo os comunistas, o Executivo socialista "não cumpriu" uma resolução da AR sobre a tapeçaria de Arraiolos, no distrito de Évora, e "nem sequer deu resposta às perguntas dirigidas, há mais de um ano, aos Ministérios da Cultura, Trabalho e Economia".

"Além de algumas (poucas) declarações proclamatórias relativamente a esta matéria, não se regista uma única iniciativa do Governo PS para a proteção, valorização e promoção do tapete de Arraiolos", lê-se no comunicado, divulgado pela Direção da Organização Regional de Évora (DOREV) do PCP.

A resolução do parlamento, publicada em agosto de 2016 em Diário da República (DR), recomenda ao Governo que adote medidas para a instalação e funcionamento de um centro para a promoção e certificação do tapete de Arraiolos.

A recomendação da AR resultou de um de projeto de resolução apresentado pelo PCP e aprovado por unanimidade.

O parlamento já tinha aprovado, em 2002, a lei que criou o Centro para a Promoção e Valorização do Tapete de Arraiolos, com competências de certificação, mas, por falta de aprovação dos estatutos, nunca entrou em funcionamento.

Lembrando que a resolução está publicada em DR "há quase dois anos", o PCP observa que "não se conhece uma única diligência que o Governo tenha tomado" para lhe dar cumprimento.

No comunicado, os comunistas criticaram também o Governo por os Ministérios da Cultura, Trabalho e Economia não responderem, desde 12 de março de 2017, a várias perguntas sobre o assunto dirigidas pelo grupo parlamentar do partido.

"Apesar de ter já decorrido quase um ano e quatro meses, o Governo não se dignou a responder às questões colocadas, nem a adiantar qualquer elemento de esclarecimento, por limitado que fosse", criticaram.

Alertando que "os problemas culturais, patrimoniais, laborais e económicos se agravam", o PCP lamentou que o Governo não tome "uma única medida de defesa do tapete, das tapeteiras, dos comerciantes e de toda a economia local".

Já esta semana, numa questão dirigida ao Ministério da Economia, os deputados comunistas João Oliveira e Bruno Dias perguntaram sobre as diligências do Governo para a aprovação dos estatutos do Centro para a Promoção e Valorização do Tapete de Arraiolos.

Do Tapete de Arraiolos, bordado a lã sobre tela, com a técnica do ponto cruzado oblíquo, denominada "Bordado de Arraiolos", conhecem-se referências desde os finais do século XVI (1598), com origem na vila alentejana com o mesmo nome, povoada no princípio do mesmo século por mouros e judeus, expulsos da mouraria de Lisboa por D. Manuel I.

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