Embora reconheça a sua perigosidade, não consigo encarar com seriedade esta coligação de direita ressabiada e vingativa, remetida muito justamente à oposição. Por isso, recorro a Lewis Carroll, parafraseando o menino e o tio Guilherme numa divertida passagem da Alice no País das Maravilhas:- "Estás velho, Paulo Portas - disse o menino./ Mais careca do que um frade./ Mas estás sempre a fazer o pino;/ Achas que é próprio da tua idade?"- "Quando era novo - disse Paulo ao presumido -/ Receava que me fizesse mal à cabeça;/ Mas como estou certo de a ter perdido/ Faço o pino sempre que me apeteça." Passos Coelho preferiu outro caminho. Aliás, outra forma de fazer o pino: a mentira. Em 2011, para chegar ao poder, prometeu um chorrilho de aldrabices, fazendo exatamente o oposto logo que pôs as mãos no "pote". E agora, no debate do programa do governo PS apoiado por toda a esquerda, protagonizou uma patética e indigna cena de gargalhada, a que se juntaram alguns "capangas", para gáudio de um par de jornalistas, autores de uma lamentável peça sobre essa "palhaçada".Os deputados da direita mais parecem pedras com olhos, quando não reagem como robôs aos estímulos pavlovianos dos chefes de partido e de bancada. Os bestuntos não assimilaram as noções de nobreza democrática e aritmética parlamentar. Estão mesmo convictos de que Portugal, tal como a Bélgica, a Dinamarca, a Lituânia e o Luxemburgo, por exemplo, não dispõem de governos legítimos, porque os respetivos PM são oriundos de partidos que ficaram em segundo e terceiro lugares nas eleições, mas chefiam governos de coligação.E termino como comecei, recorrendo a Lewis Carroll, citando ipsis verbis um velho pedinte que surge em Sylvie e Bruno:- "Que a falsidade, a ambição e o ódio/ sejam destruídos na noite da Razão,/ até que a fraqueza se transforme em poder,/ até que a escuridão se transforme em luz/ e tudo o que está errado fique certo." Eis os meus votos!.Fundador e ex-militante do PS