O ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho considerou esta terça-feira que a demissão de António Costa, na sequência do processo Operação Influencer, se deveu a "indecente e má figura", apelando a uma mudança política nas eleições legislativas de 10 de março.."Espero que o país saiba identificar no atual governo que está a cessar funções responsabilidades graves na situação a que o país chegou. Suficientemente graves para que o primeiro-ministro tenha sido o único que eu tenho memória que se tenha sentido na necessidade de apresentar a demissão por indecente e má figura", afirmou o antigo presidente do PSD..O antigo primeiro-ministro espera que o "PSD possa estar preparado" para os próximos tempos, considerando que "o país vai precisar seguramente de um governo" que tenha "um rumo bem definido" e que "possa inspirar confiança às pessoas para inverter uma degradação extraordinária de uma parte muito significativa das políticas públicas"..Para o ex-primeiro-ministro, Portugal precisa de um "groverno esclarecido" e que demonstre ter força, "que é como quem diz que tenha autoridade moral para conduzir uma politica diferente". "Isso é o que eu desejo", declarou, reiterando que "muitas das políticas públicas degradaram-se extraordinariamente nestes anos". "Da saúde à educação, às questões relacionadas com a habitação e até à segurança. Há aspetos muito relevantes que envolvem a segurança da sociedade portuguesa e dos portugueses que estão em causa", exemplificou..Sobre que Governo é que o país vai ter após 10 de março, Passos Coelho disse que "vai depender das estratégias que os partidos venham a definir e das condições que os portugueses ofereçam aos partidos que terão a responsabilidade de governar"..Expressou, no entanto, o desejo de que "seja possível fazer um Governo que tenha força e autoridade moral" e disse acreditar numa vitória social democrata nas eleições de março: "Espero evidentemente que o PSD possa ser o partido liderante nessa fase nova que se vai abrir, não porque é o meu partido - acho que todos compreenderiam que eu desejasse que o meu partido pudesse ganhar as eleições - e confio que sim, que isso acontecerá"..Manifestou ainda o desejo de que a situação de Portugal possa melhorar, avisando que as coisas "não melhorarão sem dedicação, esforço e algumas condições para que isso possa ocorrer"..Passos afirmou, porém, que não pretende fazer mais declarações sobre a situação política que o país atravessa.."Cada um tem o seu tempo e este tempo não me pertence. E, portanto, devemos deixar o espaço a quem pertence o tempo para fazer aquilo que é preciso", defendeu..Passos falava à entrada do tribunal, onde hoje foi ouvido como testemunha no julgamento do caso EDP. "Não sei por que razão é que sou chamado", afirmou.."Não tenho conhecimento de nada em que o meu testemunho possa ser interessante, mas não me cabe a mim ajuizar, cabe ao tribunal", acrescentou o ex-primeiro-ministro..Além de Passos Coelhos, também os antigos primeiros-ministros José Manuel Durão Barroso e José Sócrates são hoje ouvidos no julgamento do caso EDP na qualidade de testemunhas no Juízo Central Criminal de Lisboa..Durão Barroso preferiu não fazer declarações à chegada ao tribunal..Já na sessão de julgamento, o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho assegurou que nunca houve favorecimento ou tratamento preferencial ao ex-presidente do Grupo Espírito Santo (GES) Ricardo Salgado, nem enquanto liderou o Governo, nem enquanto foi administrador da Fomentinvest.."Nunca o doutor Ricardo Salgado usou a relação comigo para obter vantagens", frisou Passos Coelho, que foi ouvido como testemunha no julgamento do Caso EDP, numa sessão realizada no Juízo Central Criminal de Lisboa..Passos Coelho recordou também a sua experiência enquanto administrador financeiro da Fomentinvest entre 2004 e 2010, reiterando a ausência de favorecimentos ao BES por o banco então liderado por Ricardo salgado ser também acionista dessa sociedade.."Seguramente que não. Não tenho conhecimento de nenhum processo que tivesse qualquer relação, quer com o banco, quer com o ministro da Economia. Que seja do meu conhecimento, [a Fomentinvest não foi] nem privilegiada, nem prejudicada", reforçou, esclarecendo que renunciou a todos os cargos da Fomentinvest em 2010..O antigo líder do Governo (2011-2015) foi também questionado sobre os projetos PIN [Potencial Interesse Nacional], que se tornaram uma aposta no Governo de José Sócrates que tinha Manuel Pinho como ministro da Economia e que continuaram no seu executivo, garantindo que não serviam para contornar a lei.."Os projetos PIN eram projetos que, à partida, deviam ter um acompanhamento e estudo dedicado, de modo a que pudessem ter um impacto na economia", observou, continuando: "Era seguramente uma intenção clara, no que dizia respeito ao governo, de encontrar uma forma dedicada, atenta e tão célere quanto possível para criar condições para que pudessem ser aprovados nos termos da lei, de modo a que pudessem ter viabilidade e o impacto económico que se desejaria"..E acrescentou: "Não os via como uma autoestrada para fugir à burocracia, mas para agilizar e coordenar do ponto de vista do governo uma resposta tão pronta quanto possível caso tivessem viabilidade"..Manuel Pinho, em prisão domiciliária desde dezembro de 2021, é acusado de corrupção passiva para ato ilícito, corrupção passiva, branqueamento e fraude fiscal..A sua mulher, Alexandra Pinho, está a ser julgada por branqueamento e fraude fiscal - em coautoria material com o marido -, enquanto o ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, responde por corrupção ativa para ato ilícito, corrupção ativa e branqueamento de capitais..Com Lusa