O festival, cuja 3.ª edição decorre de 10 a 16 de março, inclui este ano, pela primeira vez, a iniciativa "Passaporte da Dança", com a parceria de nove juntas de freguesia e de mais de 30 escolas de dança e espaços culturais da cidade, anunciou hoje a organização do Cumplicidades numa conferência de imprensa em Lisboa. .O "Passaporte da Dança" decorre de 03 a 10 de março e haverá aulas nas freguesias de Alvalade, Arroios, Beato, Belém, Campolide, Carnide, Lumiar, Marvila, Misericórdia, Olivais, Penha de França, Santa Maria Maior, Santo António, Santos e São Vicente..A ideia, explicou o diretor artístico do festival, Francisco Camacho, é "entrar nestas 'mini-localidades' para seduzir estas pessoas para a prática da dança, mas também para o festival como espectadores"..As aulas disponíveis vão do ballet e dança contemporânea ao folclore, passando pelas milongas, danças indianas, dança do ventre, 'street dance', 'biodanza', salsa ou 'lindy hop'..Como o "Passaporte da Dança" tenta "tocar a oferta que já existe nas Juntas de Freguesia, tentando ir mais longe", a maior parte das aulas acontecem nas escolas de dança, em horários regulares, mas outras "são proporcionadas especialmente" para a iniciativa em espaços cedidos pelas autarquias parceiras..O calendário das aulas disponíveis, bem como os locais onde irão decorrer, pode ser consultado no 'site' do festival: www.festivalcumplicidades.pt..O "Passaporte da Dança" irá sendo documentado, em vídeo e fotografia, por alunos da Escola António Arroio, da ETIC e da World Academy, e o resultado será exposto no Museu do Aljube. A exposição é inaugurada a 16 de março e fica patente até meados de abril..A preocupação com a criação de públicos levou a organização do Cumplicidades a apresentar este ano uma outra novidade: o Programa Educativo, dirigido a adolescentes e jovens com idades entre os 15 e os 25 anos..O objetivo é "aproximar a comunidade estudantil ao contexto da dança contemporânea", explicou o responsável pelo programa, João Leitão, sublinhando que a Dança "tem sido marginalizada no currículo escolar". .Uma das ideias passa por "oferecer a pequenos grupos de alunos bilhetes gratuitos ou com descontos de mais de 50% para assistirem aos espetáculos". Para isso já foram contactadas "32 escolas do ensino secundário, 18 faculdades privadas e públicas e 18 outras escolas artísticas, como o Hot Clube de Portugal ou o Fórum Dança"..Para que isto seja possível, o Cumplicidades está "a tentar arranjar parceiros/mecenas"..O Cumplicidades -- Festival Internacional de Dança Contemporânea de Lisboa surgiu como "no auge da crise, como um ato de resistência e militância e numa tentativa de não deixar cair a marca Dança", recordou Francisco Camacho..A 3.ª edição tem como programadores convidados bailarina e coreógrafa portuguesa Tânia Carvalho e o artista plástico e 'performer' espanhol Abraham Hurtado..A proposta "muito desafiante" de Tânia Carvalho é composta por "49 espetáculos: sete artistas em sete dias consecutivos em sete espaços diferentes" (Rua das Gaivotas 6, Teatro da Trindade, Negócio ZDB, Espaço Alkantara, Teatro Ibérico, CAL -- Centro de Artes de Lisboa e Biblioteca de Marvila)..Já Abraham Hurtado lançou uma convocatória para selecionar cinco artistas, à qual responderam cerca de 300, para criação de uma peça coletiva..Os cinco, provenientes de Espanha, Grécia, Turquia, Israel e Itália, estão já em residência em Blanca, Espanha, "para criarem e pensarem juntos o que vão apresentar em Lisboa", revelou Hurtado, via 'skype', a partir de Dresden, na Alemanha..A peça "O Território dos Corpos" será apresentada, em estreia absoluta, em sete espaços distintos, em sete dias consecutivos..Da programação do festival fazem também parte outras duas estreias: "Delirium", de Vitalina Sousa, e "Cervical Kid", de Vasco Diogo.