O Partido Comunista Português, o Bloco de Esquerda, PAN e Iniciativa Liberal criticaram o mecanismo de escrutínio apresentado esta quinta-feira pelo Governo, que consiste num questionário de 34 perguntas e uma declaração de compromisso de honra.."É ridícula toda esta encenação. Primeiro-ministro vai fazer perguntas e exigir compromisso de honra? Então antes não fazia? Então o primeiro-ministro não sabia que Miguel Alves era arguido? Este questionário tomava alguma coisa na sua decisão? A responsabilidade de indicar pessoas para o Governo é do primeiro-ministro. Todos os casos que aconteceram têm um responsável, que é António Costa. Este questionário é como o Melhoral: não faz bem nem faz mal", afirmou o deputado bloquista Pedro Filipe Soares..Já Inês Sousa Real, líder do PAN, disse que o Governo se presta "a cair no ridículo". "Vão questionar se a pessoa desviou dinheiro ou se corrompeu alguém? Os casos continuam a suceder-se. Parece-nos claro que esta não é a resposta que o país precisa. Há a instalação nos poderes políticos de portas giratórias. O reforço da Justiça e da investigação eram fundamentais para garantir a celeridade processual e de investigação", frisou..Paula Santos, do PCP, lembra que a "indigitação dos membros do Governo é uma responsabilidade do Governo e do primeiro-ministro". "Este anúncio do questionário não dispensa uma avaliação das características de quem é nomeado. Independentemente das perguntas deste questionário, há a necessidade de apurar o seu compromisso em servir o país e não os grandes grupos económicos", considerou a deputada comunista..Também crítico se mostrou o ainda líder da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, que disse que "a montanha pariu um rato". "É altura de os portugueses perceberem que com este Governo não podemos continuar. Passado uma semana, a montanha pariu um rato. Primeiro-ministro apresentou uma primeira proposta, que foi recusada. Depois apresentou uma segunda proposta. Um questionário? Essas 34 perguntas não podiam ser feitas de viva voz? Estou convencido de que o primeiro-ministro se lembrou disso a meio do debate. Estamos perante uma encenação e de uma jogada de comunicação", atirou..O líder do Chega, André Ventura, classificou o questionário de uma "cortina de fumo inútil" sem "força legal". "Este questionário apresentado em Conselho de Ministros longamente é uma absoluta cortina de fumo inútil. Nós não sabemos se este questionário vai ser público ou não, e com toda a probabilidade não vai ser, não sabemos se as perguntas e respostas vão ser do conhecimento geral", também em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.