Parque Florestal de Monsanto poderá servir de exemplo a seguir em outras zonas do país - especialista

O Parque Florestal de Monsanto, em Lisboa, considerado floresta-modelo e na sua maioria composto por espécies autóctones, poderá ser um exemplo a seguir em outras zonas do país, disse hoje um especialista em silvicultura.
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Em declarações à agência Lusa, Fernando Louro Alves, engenheiro silvicultor da divisão de gestão do Parque Florestal de Monsanto, explicou que o debate que se irá realizar no Centro de Interpretação de Monsanto na quinta-feira, a propósito das comemorações do Dia da Floresta Autóctone, servirá para apresentar o Parque de Monsanto como um exemplo a seguir noutros locais do país.

"A ideia do debate é essa: fazer e dar-se a entender que um planeamento adequado da floresta pode conduzir à prestação de serviços por parte do ecossistema que são igualmente vantajosos e economicamente tão rentáveis como a produção de lenho e de pasta para papel, e que são florestas que se auto protegem. A ideia é perceber como esta floresta-modelo pode ser um exemplo a repetir", adiantou.

O debate pretende dar resposta a uma série de questões como a prevenção, deteção e combate ao incêndio, promovendo ainda a reflexão sobre aquilo que se passa com o Parque Florestal de Monsanto, nomeadamente as deflagrações que depois não evoluem para incêndio.

Considerada como uma floresta-modelo em termos de Plano Regional de Ordenamento do Território, o Parque Florestal de Monsanto conta com uma área de mil hectares onde convivem várias espécies de árvores, não só autóctones, divididas por talhões, o que "possibilita a fiscalização, limpeza, deteção e combates imediatos" em caso de incêndio, explicou Fernando Louro Alves.

Durante o debate será ainda discutido o facto de haver espécies que estão mais adaptadas aos ecossistemas de fogo e como elas próprias se defendem melhor relativamente ao fogo, adiantou o especialista, acrescentando igualmente que também não se podem descurar as medidas preventivas como forma de proteger a floresta.

Fernando Louro Alves lembrou a resistência de espécies como os carvalhos e os sobreiros (estes cuja cortiça funciona como isolante a altas temperaturas), que após arderem a altas temperaturas "se voltam a regenerar".

"Já vi sobreiros ardidos com temperaturas que excederam certamente os 500 graus e que passado um mês estavam com folhas novas. Isso quer dizer que a floresta autóctone tem efetivamente uma capacidade de autorregeneração em frente fogo muito grande", explicou.

O dia da Floresta Autóctone vai ser assinalado na quinta-feira no Centro de Interpretação de Monsanto com plantação de árvores, numa ação dirigida essencialmente a crianças, uma aula ao ar livre e, no final do dia, o debate "A Floresta Autóctone também arde?", que será liderado por Francisco Louro Alves, contando com a presença de representantes da polícia municipal e florestal, do regimento de sapadores bombeiros e da proteção civil municipal.