Parlamento quer que Governo peça à China a libertação do 11.º Panchen Lama

Lisboa, 15 mai 2019 (Lusa) - A Assembleia da República condenou hoje "o desaparecimento forçado do prisioneiro político mais jovem do mundo", o 11.º Panchen Lama, "instando o Governo português a apelar ao Governo chinês a sua libertação".
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Apenas o PCP votou contra esta posição, assumida através de um "voto de condenação e preocupação pelos 24 anos do desaparecimento forçado" de Gedhun Choekyi Nyima, apresentado pelo PAN (Pessoas-Animais-Natureza), que foi aprovado com a abstenção de PS, PSD, CDS-PP e PEV.

O documento obteve votos favoráveis do BE, do deputado não inscrito Paulo Trigo Pereira, da deputada do PS Isabel Santos e de quatro deputados do CDS-PP: Telmo Correia, Filipe Anacoreta Correia, Ana Rita Bessa e João Almeida.

Com esta votação, "a Assembleia da República, reunida em sessão plenária, condena o desaparecimento forçado do prisioneiro político mais jovem do mundo, o 11.º Panchen Lama, e manifesta a sua preocupação pelo desconhecimento do seu paradeiro e estado de saúde físico, mental e emocional, instando o Governo português a apelar ao Governo chinês a sua libertação".

No texto introdutório deste voto, o PAN refere que "a 14 de maio de 1995, Gedhun Choekyi Nyima, de seis anos, foi reconhecido pelo Dalai Lama como a reencarnação do Panchen Lama, o segundo líder religioso mais importante do Tibete", mas que "três dias depois, a 17 de maio, Gedhun e a sua família desapareceram, levados pelas autoridades chinesas".

"A China justificou o seu desaparecimento alegando que era para a sua própria proteção contra as forças 'separatistas'. O seu paradeiro é desconhecido. Durante mais de duas décadas o Governo chinês recusou os pedidos, dos peritos de direitos humanos das Nações Unidas e dos governos, de acesso a Gedhun Choekyi Nyima e à sua família para verificação da sua saúde e bem-estar", acrescenta o PAN.

No final de 1995, a República Popular da China designou outra criança, Gyaincain Norbu, como a reencarnação "oficial" do 11.º Panchen Lama.

O PAN - que nesta legislatura tem pela primeira vez um deputado eleito, André Silva - assinala que, "em 2013, o Comité da ONU sobre os Direitos da Criança expressou a sua preocupação acerca do 11.º Panchen Lama" e pediu à China que "permitisse imediatamente que um perito independente o visitasse", sem sucesso.

O PAN aponta o desaparecimento de Gedhun Choekyi Nyima como "uma violação grave e flagrante dos direitos humanos e liberdades fundamentais", que desrespeita a Convenção das Nações Unidas para a Proteção de Todas as Pessoas contra o Desaparecimento Forçado.

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