Paris2024: Ana Cabecinha consegue marca de qualificação nos 20 km marcha

A algarvia foi a terceira europeia nos 20 km marcha, vencidos por Marta Pérez, que assegurou a Espanha o domínio na distância, um dia depois da vitória de Álvaro Martin na prova masculina.
Publicado a
Atualizado a

A portuguesa Ana Cabecinha conseguiu este domingo marca de qualificação para os Jogos Olímpicos Paris2024 nos 20 quilómetros marcha, com o tempo de 01:28.49 horas, que lhe valeu o nono lugar na prova dos Mundiais de atletismo, em Budapeste.

Na sua sétima presença em Campeonatos do Mundo, a marchadora do CO Pechão, de 39 anos, superou a marca fixada em 01:29.20 horas, tornando-se na quarta atleta da modalidade com marca de qualificação, depois de Auriol Dongmo, no lançamento do peso, Isaac Nader, nos 1.500 metros, e João Coelho, nos 400.

Além dos quatro representantes do atletismo nacional, já estão asseguradas quatro vagas olímpicas na natação, três na vela, uma no ciclismo e outra no surf.

"Eu tentei desfrutar cada volta, neste campeonato, depois da viagem tão atribulada que tivemos. Tentei passar para trás das costas, sorrir e sentir-me bem, e isso aconteceu, conseguindo estar aqui e fazer mínimos olímpicos e um top-10 mundial", descreveu Ana Cabecinha.

A algarvia foi a terceira europeia nos 20 km marcha, vencidos por Marta Pérez, que assegurou a Espanha o domínio na distância, um dia depois da vitória de Álvaro Martin na prova masculina.

Em 01:26.51 horas, Pérez sucedeu à peruana Kimbarly García Léon, campeã em Oregon2022 nos 20 e 35, que hoje foi relegada para o quarto lugar, atrás da australiana Gemina Montag e da italiana Antonela Palmisano, segunda e terceiras classificadas, com os tempos de 01:27.16 e 01:27.26, respetivamente.

Ana Cabecinha, que nunca arriscou estar entre as da frente, seguiu praticamente durante toda a prova no primeiro grupo perseguidor, passando, aos 10 quilómetros, no 10.º lugar, a 21 segundos das sete primeiras.

E foi assim que selou a sua quinta presença olímpica, depois dos sextos lugares no Rio2016 e Londres2012, mas também do oitavo em Pequim2008 e o 20.º em Tóquio2020.

"Era para isso que eu estava a batalhar, pelos mínimos. Qual é o segredo? O segredo é ter uma grande equipa por trás. Porque, com todos estes anos, se não soubermos gerir a nossa carreira fica difícil. Se não fossem eles, e o meu treinador [Paulo Murta] sabe bem aquilo que faz e eu acredito no trabalho dele, então é altura de dar os parabéns a todos pelo que consegui", realçou.

Vitória Oliveira, que se apresentou com o pior registo da temporada entre as 48 presentes na prova, também saiu satisfeita, melhorando o seu recorde pessoal, para 01:33.04 horas, com o 24.º lugar.

"Inicialmente, senti-me muito bem. Sei que estou num bom momento de forma e ambicionava um bocadinho melhor, em termos de marca e mesmo em termos de posição. Sabia que era difícil, mas queria ir um bocadinho mais além", admitiu a marchadora natural de Loures

Aos 30 anos, Vitória Oliveira estreou-se na distância mais curta da especialidade em Mundiais, depois de ter sido 19.ª nos 35 quilómetros em Oregon2022, sem nunca arriscar demasiado, passando a meio da prova no 27.º posto, a 01.59 minutos da liderança.

"No final, a marca não é má, depois dos dois dias difíceis que tivemos com uma viagem muito dura -- ficámos sem bagagens --, que tornaram este campeonato complicado. Mas acho que mostrámos que estamos no bom caminho, principalmente a marcha. Estou muito feliz, principalmente pelo mínimo olímpico da Ana [Cabecinha] e também por poder sonhar com Paris juntamente com ela", sublinhou Vitória Oliveira.

Liliana Cá vai ser a única portuguesa na final do disco dos Campeonatos do Mundo de atletismo, em Budapeste, com o sétimo lugar na qualificação, enquanto Irina Rodrigues foi eliminada, com o 26.º, melhorando a posição de partida.

Depois do quinto lugar nos Jogos Olímpicos Tóquio2020, e do sexto nos Mundiais do ano passado, Liliana Cá assegurou a presença na final de Budapeste2023, marcada para terça-feira, às 20:20 locais (19:30 em Lisboa), com um arremesso a 63,34 metros, no seu segundo ensaio.

A lançadora do Sporting, de 36 anos, recusou-se a falar à comunicação social na zona mista do Centro Nacional de Atletismo, na capital húngara, após um concurso em que começou com 61,27, antes de conseguir a melhor marca e de encerrar com um nulo.

Esta é a terceira presença de Cá em Mundiais, depois de ter estado em Doha2019, onde não foi além do 26.º posto.

Irina Rodrigues esteve igualmente presente na qualificação para a final do lançamento do disco, na qual a norte-americana Valarie Allman, medalha de ouro em Tóquio2020 e bronze em Oregon2022, protagonizou o melhor ensaio, com 67,14, seguida da atual campeã mundial, a chinesa Feng Bin, com 65,68.

À procura da sua sexta presença em pódios de Mundiais, a croata Sandra Perkovic, campeã olímpica em Londres2012 e no Rio2016, e do mundo em Moscovo2013 e Londres2017, terminou a qualificação no terceiro posto, com 65,62.

Apesar da eliminação, Irina Rodrigues assumiu-se grata pela oportunidade e satisfeita com a sua presença em Budapeste2023, a sexta em Mundiais.

"Estou muito feliz e grata por estar nos Campeonatos do Mundo, porque além de serem os sextos, são os meus primeiros como médica. Num ano em que apostei tanto na finalização do meu curso de medicina, chegar aqui, subir uns lugares, porque eu fui repescada, acho que só pode ser positivo e eu tenho de estar grata", reconheceu.

A lançadora natural de Leiria, de 32 anos, reconheceu que os 57,08 metros alcançados na sua terceira e última tentativa, depois de arremessos a 56,86 e 55,37, ficaram aquém do desejado.

"Obviamente que eu queria lançar mais, mas eu dei tudo o que tinha", assegurou, assumindo a vontade de "fazer mais campeonatos como médica".

Ambicionando tornar-se num "exemplo para quem entra na faculdade, porque a carreira dual é possível", Irina Rodrigues promete lutar por uma terceira presença olímpica, depois das experiências em Londres2012 e Tóquio2020.

"Eu penso muito nos Jogos Paris2024. Consegui concretizar muitos sonhos numa época só e o próximo vai ser o meu primeiro ano a trabalhar, a conciliar treinos e a minha futura profissão, por isso é uma questão de gestão, de sonhos e eu continuo a sonhar", admitiu a atleta, que pretende candidatar-se ao internato de formação geral "perto do treinador" [Júlio Cirino Rocha], na ilha açoriana da Terceira.

Diário de Notícias
www.dn.pt