Papa diz que morte de Bento XVI foi usada para o criticar

Francisco voltou este domingo a falar da homossexualidade, repetindo que "a criminalização dos homossexuais é uma injustiça" e "um pecado".
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O Papa Francisco lamentou este domingo que a morte de Bento XVI, a 31 de dezembro, tenha sido "instrumentalizada" por setores da Igreja para o criticar. "Algumas histórias que circulam, que Bento ficou amargurado por coisas que o novo Papa fez, são como um jogo do telefone estragado", isto é, perdem-se na tradução, disse Francisco no voo de regresso a Itália, vindo do Sudão do Sul.

"Na realidade, consultei Bento [que abdicou em 2013] em relação a algumas decisões que tomei. E ele concordou", referiu, dizendo acreditar que a morte do Papa Emérito foi "instrumentalizada" por pessoas que querem "levar a água ao seu moinho". O Papa considera que "aqueles que instrumentalizam uma pessoa tão boa, tão de Deus, quase um Santo Padre da Igreja, são pessoas sem ética, são pessoas de partido, não de Igreja".

Não disse nomes, mas o secretário pessoal de Bento XVI, Georg Gänswein, publicou um livro e deu entrevistas onde revelou a existência de tensões entre o antigo e o atual líder católico. Francisco despediu-se do Sudão do Sul com uma missa, na qual apelou ao "depor das armas". No voo, anunciou que prevê visitar a Mongólia, em setembro, e a Índia em 2024, apesar dos problemas de saúde. "Erva daninha não morre", brincou o Papa, de 86 anos: "Não estou como no início do pontificado, está claro. Este joelho incomoda-me, mas está a melhorar."

O Papa Francisco voltou a repetir este domingo que "a criminalização dos homossexuais é uma injustiça" e "um pecado", sustentando que "não devem passar em claro", num encontro com jornalistas, a bordo do avião papal, no regresso da viagem a África.

Francisco respondia a perguntas dos jornalistas, numa conferência de imprensa realizada na viagem de regresso ao Vaticano, no termo da deslocação às repúblicas Democrática do Congo e do Sudão do Sul, depois de questionado sobre a perseguição sofrida por homossexuais em alguns países africanos.

"Se uma pessoa é de tendência homossexual e crente e procura Deus, quem sou eu para o julgar?", disse Francisco, reiterando o que já dissera antes, noticiou a agência Efe.

A "criminalização da homossexualidade é um problema que não deve deixar de ser contestado", sustentou, estimando em perto de 50 o número de países que, de uma forma ou de outra, criminalizam homossexuais.

"Alguns dizem ser ainda mais [países] e, em alguns destes, cerca de 10, há mesmo a pena de morte para homossexuais. Isto não é justo", salientou.

Reiterando o que afirmara em entrevista recente à agência Associated Press (AP), o Papa disse que as "pessoas com tendências homossexuais são filhas de Deus". "Deus ama-os, Deus acompanha-os e condenar tal pessoa é um pecado", argumentou.

"Criminalizar pessoas com tendências homossexuais é uma injustiça. Não estou a falar de grupos, isso é outra coisa, os lobbies são outra coisa. Estou a falar de pessoas e o catecismo da Igreja já diz que ninguém deve ser marginalizado", sustentou.

Na entrevista à AP, o Papa afirmara que "ser 'gay' não é crime" e condenara os que criminalizam a homossexualidade.

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