O papa falava durante a missa que celebrou em São Pedro para recordar a visita que fez há cinco anos à ilha italiana de Lampedusa..Enquanto Itália fecha os portos às Organizações Não Governamentais (ONG) que salvam a vida dos imigrantes no Mediterrâneo central e o ministro do Interior, Matteo Salvini, as compara aos traficantes, o papa assegurou na homilia que a única resposta sensata é "a solidariedade e a misericórdia"..Passaram cinco anos desde que Francisco elegeu para primeira viagem do pontificado a pequena ilha de Lampedusa, a apenas 113 quilómetros das costas africanas, símbolo do drama da imigração, mas desde então as respostas "não foram suficientes"..O papa argentino destacou na homilia que, a partir de Lampedusa, perguntou a toda a humanidade: "Onde está o teu irmão?". Mas as respostas a este chamamento "ainda que generosas, não foram suficientes".."Encontramo-nos hoje a chorar milhares de mortos", disse..Segundo a Organização Internacional das Migrações (OIM), desde o início do ano perderam a vida no Mediterrâneo cerca de 1.500 pessoas, 200 das quais nos últimos dias, ao afundar-se o barco em que seguiam, sem que nada pudesse socorrê-las..Nos bancos da Basílica de São Pedro sentaram-se hoje dezenas de refugiados, entre os quais duas famílias, uma da Costa do Marfim e outra da Nigéria, dois jovens do Iraque, uma mulher somali, uma mãe nigeriana com os filhos e três refugiados chegados do Mali, da Nigéria e dos Camarões, explicou à agência EFE a Fundação Astali, dos jesuítas, que se dedica ao acolhimento de imigrantes..Também esteve presente uma representação da ONG espanhola Open Arms, incluindo o fundador, Óscar Camps, que se dedica ao salvamento de imigrantes no Mediterrâneo central..A estes, aos socorristas provenientes de Espanha, o papa dirigiu-se em espanhol, encorajando-os a continuarem a ser testemunhas da esperança num "mundo relutante em compartilhar".."Quis celebrar o quinto aniversário da minha visita a Lampedusa com vocês, que representam os socorristas e os resgatados no Mar Mediterrâneo", afirmou Francisco ao dirigir durante a homilia algumas palavras "diretamente aos fiéis chegados de Espanha.