Os pais e professores vão passar a estar ligados através de uma plataforma online de partilha de mensagens sobre avaliação dos alunos, trabalhos de casa ou mesmo convocação de reuniões de pais. Assim, os encarregados de educação podem, entre uma reunião e outra, ou na pausa para o almoço, ficar a saber como corre o dia aos filhos e controlar o desempenho deles na escola. Desde a aula de educação física, à de matemática, passando pela de ballet ou mesmo pela explicação de determinada disciplina. .A rede social de educação Weduc - uma espécie de Facebook para pais e docentes do ensino pré-escolar e básico - já está activa desde Março em quatro escolas: no Colégio Alfragide, em Carnaxide e em três infantários em Cascais, Sintra e Azeitão. Neste último, o projecto foi lançado esta semana. .O sistema pode ser acessível a qualquer escola ou instituição ou centro de actividades extracurriculares. "Este é um canal que permite aos educadores falar com os professores e saberem o que os filhos vão fazendo na escola minuto a minuto", explicou ao DN um dos coordenadores da rede, Paulo Mateus..Big Brother das escolas? Não, garante: "Esta é uma rede que simula um ambiente real indicado para os pais mais ocupados, os divorciados que passam menos tempo com os filhos, os chamados "pais-galinha" e para os pais que querem participar mais activamente na vida dos filhos"..De acordo com o responsável, o sistema é seguro, pois precisa de password, e teve o aval da Comissão Nacional de Protecção de Dados.."Existe um gap muito grande de informação entre o pai e os filhos ao longo do dia, entre o pequeno-almoço e o jantar", defende Paulo Mateus, também ele pai de dois filhos - um de 6 e outro de 9 anos . .Cada participante - que pode ser pai, professor, familiar do aluno ou director da escola - escolhe uma "senha" e a partir daí passa a ter acesso a todo o conteúdo da rede. Esta rede não funciona apenas para as escolas curriculares. Mas também é possível aplicá-la às actividades extracurriculares como ballet, futebol ou natação, por exemplo - fora das escolas - de forma a que os pais estejam sempre em cima do acontecimento.."Óptima ideia", sublinha Delfim Nunes, pai de um aluno que estuda na primária, acrescentando: "Sempre fui a favor da caderneta como interface da comunicação encarregado de educação-professor", diz Delfim Nunes.. "Como pai quero participar no processo educativo e auxiliar os professores. Mas acontece que é muito difícil chegar à fala com eles se não por intermédio do director de turma", desabafa, dando o exemplo com outros países europeus: "Vivi dois anos em Itália e confirmo que a utilização da caderneta, a proibição do uso de telemóvel e a obrigatoriedade dos alunos se levantarem quando um professor entra na sala eram mais- -valias efectivas", concluiu. .Paulo Mateus assume que os pais têm tido muito mais receptividade que professores e escolas a este projecto. Mas nem todos. Armando Santos, também pai de um estudante, sublinha que não tem tempo para redes sociais: "Será que os professores têm?"."A lógica é esta rede ser um jornal de família", explica ainda Paulo Mateus, em que "os jornalistas são os professores". .Segundo Paulo Mateus , outro dos objectivos "exportar a rede" para o estrangeiro. "O Weduc só faz sentido se for exportado lá fora e é por isso que foi desenhado de raiz para ser multilingue", explica Paulo Mateus, esclarecendo que no próximo ano lectivo conta lançar o projecto em escolas brasileiras, tendo ainda iniciado contactos com parceiros espanhóis. O Weduc já tem presença no Facebook e já conta com mil utilizadores.