O documento descoberto pelo professor da Universidade de Santiago de Compostela, José António Souto, que o próprio data de 1173, vem confirmar que os textos conhecidos mais antigos em Português, nos seus primórdios do galaico-português, não são do século XIII, como se pensava até há alguns anos atrás, mas do anterior..O docente galego apresentou ontem o Pacto de Gomes Pais e Ramiro Pais , uma espécie de tratado de não agressão entre dois irmãos do Minho, num congresso histórico em Vila Nova de Famalicão. O documento, refere o próprio autor, "apesar de não estar datado, é exequível (...) que tenha sido lavrado no período cronológico que vai de 1169 e 1175". E dá uma série de argumentos que o levam a acreditar ser de 1173..A confirmar-se esta data, ficam "desactualizados" em dois anos os documentos notariais descobertos pela professora da Universidade de Lisboa, Ana Maria Martins. A docente dava a conhecer, em 1999, num texto de homenagem ao professor Lindley Cintra, um documento datado de 1175, por "conter palavras e expressões que se podiam considerar do galaico-português", explicou ao DN a linguista Helena Mira Mateus, que não quer entrar em qualquer tipo de polémicas, "por um documento estar datado e o outro não". .Para a docente universitária, o importante é que "os documentos mais antigos, mostram que não era no século XIII que se escrevia com palavras e expressões galaico-portuguesas, mas sim no século XII"..A especialista em linguística faz notar ao DN que "na Torre do Tombo ainda há muitos mais documentos para encontrar", não pondo de parte a hipótese de se vir a dar com manuscritos ainda mais antigos. .Nos anos 90, supunha-se que os documentos mais antigos eram o Testamento de Afonso II (1214) e um manuscrito que relatava o prejuízo de uma família, intitulado Notícia de Torto, que se pensa ter sido escrito entre 1211 e 1216.