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Testemunhos de treinadores portugueses em Angola.<br />
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"Sabe bem voltar a ouvir falar português"
Manuel José, Seleccionador de Angola

Manuel José aceitou o desafio da federação angolana de futebol em liderar a selecção no CAN 2010 que o país organiza. Começa a trabalhar segunda-feira - no dia seguinte chega a Portugal para realizar um estágio -, mas já está em Angola. As primeiras impressões são positivas e o treinador que ganhou prestígio no Egipto admite que até estranhou ao ouvir a língua portuguesa. "Agora ouço falar sempre. Depois de seis anos a só ter os elementos da equipa técnica e a minha mulher a falarem português, até sabe bem", realçou o técnico. Um dos primeiros impactos que teve foi o trânsito. "Já percebi que para ir para qualquer lado é um problema. É caótico, mas tem uma vantagem relativamente ao Egipto: é que aqui pelo menos obedecem aos semáforos. Lá é como se os semáforos não existissem", relembrou.

"Só se pode ir a Luanda no fim-de-semana"
Augusto Inácio, Treinador do Inter Luanda

Augusto Inácio é peremptório: gosta de Angola, mas está "apaixonado por Portugal". Considera que o regresso ao seu país é inevitável... um dia. Para já, está concentrado no Inter Luanda e fala do que faz para relaxar. "Gosto de ir à praia, comer um bom peixe, um bom marisco", confessou. Refere que mora a cerca de 12 quilómetros de Luanda e diz que só vai à capital ao fim-de-semana. "Durante a semana demora-se duas ou três horas para lá chegar por causa do trânsito." Mas o que o marca mais, na opinião de Inácio, é a dificuldade em colocar gasolina: "Não há muitas bombas para abastecer, então quando se vai a uma já se sabe que temos pelos menos duas horas de espera. Contudo, do outro lado da estrada lá estão a vender combustível, ao triplo ou mais do preço da bomba... mas perde-se menos tempo."

"As pessoas olham para mim com simpatia"
Bernardino Pedroto, treinador do Petro de Luanda

Desde que chegou a Angola em 2000, não mais saiu. Não por falta de oportunidades, como o próprio frisou, mas "os convites para voltar a Portugal surgiram em alturas impróprias". Salienta a importância de manter a sua palavra quando se vincula a um clube e não se arrepende de ter ficado, mesmo que financeiramente tivesse sido vantajoso regressar ao seu país. É um dos treinadores mais acarinhados em Angola. Já conquistou diversos títulos e, a muito custo, admite que ganhou estatuto no país africano. "No desporto é sempre assim, quando se vence é normal que se ganhe importância. As pessoas olham para mim com simpatia... até fico constrangido em falar disso, mas sim, tratam-me muito bem", confessou Pedroto que salientou ainda: "Aquela gente [angolanos] é fantástica."

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