OUTROS CREDOS SALPICAM LISBOA .Boa parte dos templos está aberta ao público .Não foi há muito tempo que Lisboa se rendeu à diversidade religiosa, apesar de várias minorias étnicas e religiosas viverem desde sempre ao lado da população cristã dominante. É o caso das comunidades judaica e muçulmana, às quais se juntaram mais tarde os africanos, ciganos, protestantes e, mais recentemente, grupos imigrantes oriundos dos países africanos de língua oficial portuguesa e do Leste europeu..Segundo o Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas, cerca de cinco por cento da população que reside no País identifica-se com religiões não católicas. Mas muitas destas comunidades minoritárias não estão formalmente organizadas. .A Lei sobre a liberdade religiosa de 2001 abriu portas para as crenças que viajaram desde a Índia, China, Estados Unidos, Moçambique, Guiné e de muitos outros lugares do mundo. Por toda a Área Metropolitana de Lisboa constroem-se templos e complexos religiosos imponentes, celebram-se rituais em lugares de culto improvisados, reza-se em apartamentos ou moradias arrendados. Tudo depende do número de fiéis e da capacidade de cada comunidade conseguir angariar fundos para ampliar ou construir os seus templos. Boa parte dos seguidores dessas novas religiões pertencem às gerações já nascidas em Portugal e até existe um número crescente de casos de portugueses que se converteram. .Os diferentes locais de culto de cada religião em Lisboa estão abertos ao público, alguns até oferecem visitas guiadas. A maioria das actividades ai realizadas são gratuitas e dirigem-se a todos aqueles que quiserem participar..UMA SINAGOGA ESCONDIDA.A Sinagoga de Lisboa, Prémio Valmor em 1906, é um monumento escondido. Assim o decretou a monarquia, que proibia a visibilidade de outros cultos religiosos que não o catolicismo. O terreno para edificar o primeiro templo dos judeus após a Inquisição teve de ser comprado em nome de pessoas particulares e a própria sinagoga, inaugurada em 1904, foi construída sem fachada para a rua..A vedação mantém-se até hoje, não por imposição do Estado, mas por questões de segurança. Quem passa na Rua Alexandre Herculano, junto ao Largo do Rato, em Lisboa , nem faz ideia o que está por detrás dos portões brancos. O templo Portas da Esperança (Shaaré Tikvá em hebraico) foi projectado pelo arquitecto Miguel Ventura Terra, tendo o seu discípulo Carlos Ramos sido o responsável pela sua ampliação quatro décadas mais tarde. .No centro do complexo está plantada uma romãzeira, símbolo de fertilidade. O local dee culto é um amplo salão rectangular onde ficam os homens, rodeado por duas galerias destinadas às mulheres.A comunidade israelita de Lisboa, com cerca de 200 anos de existência, foi fundada por judeus sefarditas, originários de Marrocos e Gibraltar. Ao longo do século XX e, em especial, devido às perseguições anti-semitas, esta população cresceu com judeus asquenazes da Polónia, da Rússia e, mais tarde, da Alemanha e de outros países europeus. Actualmente, há cerca de mil crentes em Lisboa..'RADHA-KRISHNA' DE TELHEIRAS CRESCE TODOS OS ANOS PARA SER O MAIOR DA EUROPA.O templo Radha-Krishna, em Lisboa, é uma obra em permanente construção desde finais de 1989. O local de culto para a população hindu que vive na capital ocupa onze hectares da Alameda Mahatma Gandhi em Telheiras, e quando ficar concluída, será o maior templo da Europa. Este é, no entanto, um objectivo que ainda não tem uma data, uma vez que a conclusão do complexo religioso depende sobretudo dos fundos angariados entre esta comunidade..O templo Radha-Krishna é uma obra do arquitecto português Augusto da Silva, inspirada no estilo e na tradição arquitectónica indiana dos templos hindus. A parte reservada ao culto religioso, bem como o salão de festas e a cozinha, foram inaugurados em Novembro 1998, mas desde essa data o complexo foi crescendo cada vez mais. Hoje, além da biblioteca, das salas de jogos ou dos espaços destinados à formação profissional, o complexo conta ainda com uma creche, um centro de idosos ou um restaurante vegetariano. Restam ainda outras ambições como criar um posto médico e um pavilhão desportivo..A Comunidade Hindu de Portugal conta com cerca de 15 mil membros e é reconhecida como uma Instituição Particular de Solidariedade Social. Mais de 50% desta comunidade vive sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa e é principalmente oriunda do Estado indiano de Gujarat..CANTO DO 'MUEZIM' ATRAI OS FIÉIS ATÉ À MESQUITA.À sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos, nem todos entram na sala de culto da Mesquita Central de Lisboa. O canto do muezim chama os fiéis para a oração, mas há quem tenha de ficar à entrada por não ter lugar. Em épocas festivas, o templo costuma acolher mais de oito mil pessoas: portugueses, moçambicanos ou guineenses dividem-se em grupos que conversam no pátio principal. As mulheres estão no piso superior do templo e fazem as preces separadas dos maridos..Os muçulmanos que vivem na capital tiveram de esperar até 1985 para ter um templo em Portugal. A Mesquita Central, junto à Praça de Espanha, começou a ser construída há 28 anos com a ajuda de um numeroso grupo de países muçulmanos, da comunidade islâmica de Lisboa e da câmara, que cedeu os terrenos. .As obras, contudo, só ficarão concluídas à medida que a comunidade muçulmana conseguir angariar os fundos necessários. Parte destas verbas já está garantida com os donativos vindos do estrangeiro: a cobertura das cúpulas e do topo do minarete será uma oferta de um empresário iraquiano e de uma empresa estatal iraniana; os mármores que irão revestir o salão nobre e o átrio são um donativo que chegaram do Estado turco..A população islâmica de Lisboa cresceu sobretudo a partir de 1974 com a chegada de muçulmanos vindos de Moçambique e da Guiné. .Actualmente calcula-se que esta comunidade seja constituída por 35 a 40 mil membros, que vivem sobretudo em Lisboa, Odivelas e Laranjeiro..O JARDIM DO PARAÍSO DENTRO DO CENTRO ISMAILI.O burburinho que sai da fonte é a única vibração que se ouve no Jardim do Paraíso. É a água dos quatros rios mencionados no Alcorão que corre no pátio principal do Centro Ismaili de Lisboa. O templo para a comunidade ismailita da capital tem 18 mil metros quadrados e mais de metade da área está ocupada com jardins. .A sua construção seguiu a filosofia de que tudo o que existe no céu está reflectido na terra. Nada foi colocado ao acaso; cada objecto tem uma simbologia própria do Islão. O centro ismaili, dizem os representantes desta comunidade, foi inspirado no Mosteiro do Jerónimos, no Alhambra, em Espanha e no Fatehpur Sikri, na Índia. Inaugurado em Julho de 1998, o edifício foi projectado pelo arquitecto indiano Raj Rewal em parceria com o português Frederico Valsassina, que tiveram como tarefa realçar o Islão integrado..Jamatkhana, o local de culto, é o espaço dedicado à oração com 900 metros quadrados de comprimento e 10 metros de altura. Dentro deste salão há 35 cúpulas que se alinham no tecto e nenhum pilar. Os crentes tiram os sapatos antes de entrarem salão: homens e mulheres partilham o mesmo espaço, mas mantêm-se separados..A comunidade ismailita em Portugal reúne cerca de 8500 membros de origem indiana (principalmente do Gujarate e de Diu) que seguem um ramo xiita do Islão. A esmagadora maioria desta população instalou-se em Moçambique e chegou a Portugal na década 70, após as independências das colónias portuguesas..VELHO ARMAZÉM PARA A ORAÇÃO DOS SIKHS.Desde 1998 que a comunidade sikh em Lisboa ambiciona em ter um local de culto feito de tijolo e cimento. Mas, enquanto o dinheiro dos donativos não for suficiente para construir um templo, as centenas de crentes reúnem-se todos os domingos no Gurdwara, um velho armazém, na Pontinha, alugado a um paquistanês muçulmano..As condições não são as ideais mas, em contrapartida, o local está aberto todos os dias da semana e acolhe qualquer membro que precise de pernoitar ou comer uma refeição quente. E ninguém paga pelo acolhimento. É aliás habitual quando um membro da comunidade chega a Portugal passar os primeiros dias no templo da Pontinha..O Gurdwara começou a funcionar em Setembro de 1998, sendo uma das congregações mais recentes do País. O objectivo da comunidade, segundo o líder, Balwinder Singh, é conseguir angariar donativos suficientes para poder deixar um dia o armazém e transferir o templo para um terreno na zona de Santo António dos Cavaleiros, no concelho de Loures..Mas há nove anos que a comunidade se junta no templo da Pontinha para as orações de domingo, que começam às 12.00 e estendem-se até às 14.30. Cantam-se hinos e recitam-se excertos do livro Guru Granth (fundador do sikhismo), colocado no centro do altar. O ritual fica concluído com os Ardas, uma oração colectiva em Punjabi, a língua tradicional..A migração sikh para Portugal começou no início dos anos 90 e a comunidade estima que actualmente residam no País entre seis a sete mil membros, a esmagadora maioria a viver na Grande Lisboa e no Algarve..Boa parte desta população dedica-se ao comércio de pronto-a-vestir, restauração ou trabalha na construção civil.