Oque pode acontecer numa Sexta-feira 13? O musical que homenageia os Xutos e Pontapés, revisitando os loucos anos 80, estreia hoje pelas 21.30 na Toyota Box (Docas de Alcântara), em Lisboa. Amor e morte, drogas e rock 'n' roll são os temas escolhidos pelo autor, Eduardo Madeira, das Produções Fictícias e dos Cebola Mol, para recuperar a década em que a banda se afirmou. .No palco principal não estão Tim, Zé Pedro, Kalú, João Cabeleira nem Gui, mas o grupo escolhido ad hoc para substitui-los "não quis desvirtuar a sua essência", explica Renato Júnior, director musical do espectáculo, que diz ter seleccionado "malta com a mesma abordagem de garagem que os Xutos". .A reboque de Circo de Feras, Chuva Dissolvente, A Minha Casinha e outros êxitos, bem como de uma nova canção (Sexta-feira 13) preparada especialmente para o musical, 15 jovens representam, dançam e cantam os dramas da juventude da época , ao longo de toda a extensão proporcionada pela Toyota Box (ver caixa). .Tudo começa com um reencontro, quando dois amigos de longa data se cruzam. Emocionados, fazem perguntas óbvias ("E o que foi feito de ti? E o que foi feito de mim?") como quem perdeu o rasto ao próprio passado, despertando memórias dos tempos idos, de uma adolescência atribulada. Tempos em que o sexo pairava no ar e os jovens gritavam bem alto "Eu cá sou bom, sou muito bom!", desafiando os porteiros de bares, como o do já morto - mas bem vivo na mente de toda uma geração Rock Rendez-Vous. Tempos em que se discutiam os últimos desvarios das bandas-sensação, não importa onde nem como - a pedrada ou a embriaguez não se dispunham a tais apreciações. Casa de banho do bar, junto ao urinol? Seja..Os universos ébrios e toxicómanos em que se movimenta um grupo de amigos levam-nos mesmo até "ao fundo da rua", onde é natural que o pessimismo grasse, que se lastime que "a vida vai torta e jamais se endireita". No fio da navalha, quem sairá ileso de um mundo assim? "Os Xutos e Pontapés saíram", assegura Eduardo Madeira. Razão suficiente para que, apesar do cheiro a morte, "no final haja uma mensagem redentora", exaltando os valores da amizade e da resistência..As escolhas de Eduardo Madeira para representar a década de 80, através de "estórias paralelas aos Xutos e Pontapés", foram resultado de um desafio lançado por António Feio (encenador) e Susana Félix (coordenadora artística). "Era preciso fazer uma história da banda ou alguma coisa que remetesse para ela", revela o autor, que acabou por preferir a segunda opção: "Não estava preparado para fazer a história dos Xutos." .O texto foi então concluído, o elenco escolhido, e os ensaios puderam começar no princípio do ano. Um "trabalho extremamente árduo", garante António Feio, até porque "a maior parte dos actores escolhidos tem pouca experiência de teatro" - tratando-se de um musical, a prioridade no casting foi dada à dança e ao canto. O reconhecimento do esforço e da qualidade existe pelo menos em Zé Pedro. O guitarrista da banda que deu os primeiros pontapés a sério numa sexta-feira 13 de 1979 acredita que o musical é "uma aposta ganha, independentemente das receitas que vier a gerar". O teste dos fãs é feito a partir de hoje nas Docas de Alcântara. Data limite? Sine die, como os Xutos e Pontapés.