Os génios também têm sexo
Ao longo dos anos a jornalista espanhola Roser Amills foi acumulando peripécias, anedotas e confissões sexuais que ia lendo em livros e revistas.Até que se deu conta de que já tinha muito para contar, incluindo pormenores sobre os locais mais exóticos onde se encontravam os famosos, o que sussurravam ou a forma como gostavam de ser seduzidos. No livro As 1001 Fantasias mais Eróticas e Selvagens da História (Las 1001 Fantasías más Eróticas y Salvajes de la Historia), editado em Espanha,a jornalista juntou as peças todas. «Queria saber como e com o que sonhavam e se inspiravam as minhas personagens preferidas», disse Amills ao jornal El Pais para explicar o mote do livro. Eis algumas destas histórias fascinantes... e tentadoras.
Alfred Hitchcock
Tara por loiras
Orealizadorqueimortalizou Psycho(1960)tinha uma tara por loirasenumaentrevistaao cineasta francêsFrançoisTruffaut,confessou: «Porque escolho sempre mulheres loiras e sofisticadas para os meus filmes? Porque quero mulheres do mundo, verdadeiras damas que se transformam em prostitutas na cama.» O realizador era tão atrevido que em 1961 viu a jovem modelo Tippi Hedren num anúncio publicitário e quis tê-la como atriz num dos seus filmes. Sem vergonha de lhe exigir que «estivesse sexualmente disponível para ele onde e sempre que quisesse», contou Hedren. Hitchcock apaixonava-se e envolvia-se sexualmente com muitas das suas atrizes, Ingrid Bergman e Grace Kelly fizeram parte do rol desejado pelo realizador, mas ambas o rejeitaram.
Albert Einstein
Ditador
O génio da ciência não escondia o seu desejo por dominar a esposa. Einstein deu-se ao trabalho de fazer uma lista de obrigações que tinham de ser rigorosamente cumpridas pela sua mulher, a matemática sérvia Mileva Maric. «A) Serás responsável por que: 1. A minha roupa esteja em ordem; 2. Servir-me três refeições ao dia; 3. A minha cama e escritório estejam organizados e não sejam tocados por ninguém; B) Renunciarás a ter relações pessoais comigo, exceto quando necessárias por aparência social; Não exigirás que: 1. Me sente ao teu lado em casa; 2. Viaje contigo; C) Prometes levar em atenção estes pontos: 1. Não deverás esperar de mim nenhuma manifestação de afeto nem me pedirás tal coisa; 2. Deverás responder de imediato sempre que falo para ti; 3. Deverás abandonar o quarto ou o escritório sem protestar sempre que te diga; D) Prometes não denegrir-me aos olhos das crianças, seja por palavras ou atos», diz a sua biografia Einstein, Sua Vida, Seu Universo.
Salvador Dalí
Fantasias canibalescas
Sempre teve desejos de grandeza: aos 6 anos, queria ser cozinheiro. Aos 7, Napoleão Bonaparte. A cozinha fascinava-o, era para ele um orgasmo e chega a dizer que o seu sonho era transformar a mulher, Gala Dalí, num ser tão pequeno que pudesse engolir como uma azeitona. «O canibalismo é uma das manifestações de ternura mais evidentes», disse numa entrevista em 1971. «Se gosto de costeletas de porco e das costelas da minha mulher não vejo razão para não as representar juntas», disse. Dalí chegou mesmo a pintar um retrato de Gala com uma fatia de bacon.
Elvis Presley
O menino da mamã
O rei do rock'n'roll teve uma mãe superprotetora - Gladys Smith - que se transformou na única mulher verdadeiramente amada por Elvis. Não foram raras as vezes em que chamou à sua esposa Priscilla, o nome da mãe, e que insistia numa teoria da reencarnação em que a progenitora lhe aparecia mesmo depois de morta. Aos seus olhos, as mulheres dividiam-se em apenas dois géneros: «anjos» (como a sua mãe) ou «putas». «Daquilo que mais gostava era de beijar e tocar como se tivesse 15 anos, fazia que quase tirássemos um curso de maternidade. Aí, convertíamo-nos na pessoa que cuidava dele, lhe trazia coisas à noite, água, comprimidos, comida...», disse uma das suas muitas namoradas, Sheila Ryan.
Janis Joplin
Bissexual
Declarou-se «simplesmente sexual» mas teve como amantes mais mulheres do que homens. A imprensa dizia que Joplin era heterossexual, os seus amigos, bissexual e as lésbicas, homossexual. Morreu de overdose aos 27 anos e, como se já estivesse a prevê-lo, deixou seiscentos dólares para que celebrassem o momento com uma festa selvagem. Nasceu numa família conservadora, que chocou várias vezes devido ao seu estilo de vida pouco discreto e ao seu caráter apaixonado e promíscuo.
Fernando Pessoa
O infantil
As cartas que escrevia à sua amada Ophélia Queiroz, compiladas no livro Cartas de Amor a Ophélia Queiroz, estão repletas de diminutivos e expressões infantis, o que revelava um amor puro, mesmo as referências sexuais eram mascaradas por adjetivos carinhosos. «Quando nos podemos encontrar a sós em algum lugar, meu amor? Sinto a boca estranha, por não ter os teus beijinhos há tanto tempo... Bebé meu, que quero sentar no meu regaço!... Corpinho de tentação, chamei-te, vem aqui, vem para perto do teu Ninito; cem... estou tão só... tão só de beijinhos», escreveu.
Thomas Alva Edison
Mensagens em código morse
O inventor conhecido por ter aperfeiçoado a lâmpada incandescente ficou praticamente surdo depois de sofrer de escarlatina em criança, o que o levou a desenvolver outras formas de comunicação. Depois da morte da sua primeira mulher, conheceu Mina Miller, vinte anos mais nova. Ensinou-lhe a utilizar o código morse para poderem conversar em segredo. Um dia, perguntou-lhe: «.-- .. .-.. .-.. -.-- --- ..- -- .- .-. .-. -.-- -- .» (Casas comigo?). A resposta de Miller foi «-.-- . ...» (Sim). Este código tornou-se um sistema de comunicação habitual entre o casal e, sempre que assistiam a uma peça de teatro, Mina apoiava a mão sobre o joelho de Edison e «telegrafava» os diálogos dos atores.
Marlene Dietrich
Sem pudores
A atriz que em 1961 chocou o mundo ao protagonizar o filme O Julgamento de Nuremberga, que falava sobre o Holocausto e o julgamento dos líderes nazis, era provocadora e não tinha pudores em falar da sua vida sexual. Casou em 1924 com Rudolf Sieber e tiveram uma filha. De acordo com Greta Garbo, foi a bissexual mais ocupada de Berlim. Sedutora, hábil e insaciável, dormiu com realizadores, atores e atrizes por puro prazer. «Marlene rasgou as cuecas de Edith nos bastidores de um teatro em Berlim e, usando apenas a boca, levou-a ao orgasmo», contou o ator Klaus Kinski, sobre um episódio passado com a sua ex-noiva. Trinta anos depois, Marlene Dietrich voltou a chocar ao dizer que Greta Garbo «era grandíssima lá em baixo».
Jean-Paul Sartre
Adolescentes
O escritor sempre gostou de mulheres muito mais novas do que ele porque, como diz nas suas memórias, «tinha um especial prazer em tirar a virgindade a jovenzitas». Sartre chegou mesmo a ver o seu nome relacionado com uma acusação de incesto quando nos anos 1970 foi amante da adolescente Arlette Elkaiim, que mais tarde se tornou totalmente dependente dele e que o escritor acabou por adotar oficialmente.
OUTROS CASOS
James Joyce, escritor
Cuecas aromatizadas
Tinha uma sensibilidade olfativa acima do vulgar e, em 1919, escreveu à sua esposa Nora: «Minha doce e travessa passarinha, aqui está outra nota para comprares lindas cuecas, ou meias ou ligas. Compra cuecas de puta, amor, e pulveriza-as com um agradável aroma.»
James Dean, ator
Saltos e espartilhos
A imprensa especializou-se na sua relação com Maila Nurmi, uma vamp especialista em rituais de magia negra. Saíam juntos, por locais como Sunset Boulevard, vestidos com roupas vamp. A trágica morte de Dean levou a que nascessem histórias assustadoras sobre a influência que Maila exercia sobre ele.
Tony Curtis, ator
Marilyn Monroe
Casou-se seis vezes, teve mais de mil amantes mas ninguém o marcou tanto como Marilyn Monroe, com quem manteve uma relação desde 1950, em que ambos eram infiéis aos seus parceiros. «Na cama nunca estava seguro, nem antes, nem durante, nem depois, de onde tinha a sua cabeça», escreve Roser Amills.
Mata-Hari, artista e espia
Militares
Confessou amar os militares. «Prefiro ser amante de um oficial pobre do que de um banqueiro rico», declarou. Em 1895, casou-se com um que procurava esposa através de um anúncio. Teve azar: Era alcoólico e presença assídua dos bordéis.
Patti Smith, cantora
Literatura e masturbação
«Não acho que escrever seja um ato silencioso, introspetivo. É um ato físico. Quando estou em casa, com a minha máquina de escrever, fico como louca. Caminho como um macaco. Humedeço. Tenho orgasmos. Em vez de injetar heroína, masturbo-me 14 vezes seguidas», conta.
Carla Bruni
Caça aos famosos
«Sou uma menina, apesar dos meus 40 anos e trinta amantes», disse. Mick Jagger, Donald Trump, Eric Clapton, Kevin Costner, são alguns dos que integram a sua lista. Parece ter estabilizado com Sarkozy, que a tornou primeira-dama de França e de quem tem uma filha.

