Orçamento

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«O Orçamento actual é insuficiente para assegurar qualquer progresso na redução do défice estrutural», afirmou o governador do Banco de Portugal. Vítor Constâncio não é personalidade para falar a partir da opinião de comentadores e de títulos dos jornais - como, numa frase infeliz, o ministro das Finanças acusou as agências internacionais de notação financeira de fazerem. Constâncio falou do que sabe e já analisou muitos orçamentos. Infelizmente, nenhum deles anticíclico, isto é, capaz de combater a estagnação económica aumentando o défice, tendo o inverso acontecido em fase de expansão.

A nossa política monetária está nas mãos do Banco Central Europeu, que fixa a taxa de juro segundo as exigências do conjunto da zona euro, não deste pequeno país. Para estabilizar o ciclo económico em Portugal resta a política orçamental - mas esse instrumento aqui não funciona, por causa do persistente défice das contas do Estado. Ou seja, não temos política macroeconómica. Com a firmeza de Manuela Ferreira Leite começou a perceber-se ser mesmo importante combater o cancro do défice, apesar das resistências dos que beneficiam da despesa pública - e são muitos. Mas, como escreveu J. César das Neves no DN do dia 8, «logo que se sentiu o alívio da recessão e se reduziram um pouco os perigos de derrapagem do défice, deslizaram a urgência e o ardor da austeridade. Assim, é razoável duvidar da possibilidade de as finanças públicas portuguesas virem a entrar numa trajectória sustentável e equilibrada».

Depois da resposta de Santana Lopes às críticas de Marques Mendes em Barcelos, já nem lugar há para dúvidas: com a economia a crescer, não à austeridade do Estado e a mais sacrifícios dos portugueses, pois isso apenas agradaria à oposição e aos críticos. Estamos esclarecidos.

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