Oposição venezuelana diz que marcação de eleições é represália a sanções da UE

A oposição venezuelana atribuiu hoje a decisão da Assembleia Constituinte (AC) de convocar eleições presidenciais até finais de abril a uma represália do Governo do Presidente Nicolás Maduro, pelas sanções impostas segunda-feira pela União Europeia (UE).
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"No decreto (aprovado pela AC) falam das sanções a funcionários (do Governo venezuelano) com se a oposição tivesse discricionariedade sobre a aplicação ou levantamento das mesmas", disse aos jornalistas do deputado Henry Ramos Allup.

Para o também secretário-geral do partido Ação Democrática, "é verdadeiramente preocupante (...) porque se anuncia a realização de eleições num lapso eminente como uma represália devido à aplicação das sanções".

Em declarações ao canal privado de televisão Globovisión, o Governo venezuelano está a aproveitar as sanções da EU para "dar um pontapé na mesa de diálogo" com a oposição.

Segundo Henry Ramos Allup para participar nas presidenciais a oposição terá ainda que, neste espaço de tempo, realizar eleições primárias para escolher um candidato presidencial único.

"A maneira mais democrática é a que consiste em consultar as pessoas para que se expressem", frisou, fazendo referência a que a oposição aposta em realizar eleições primárias.

A Assembleia Constituinte da Venezuela, composta unicamente por apoiantes do Presidente Nicolás Maduro, aprovou hoje um decreto a convocar a realização de eleições presidenciais até ao próximo dia 30 de abril.

A aprovação, "por aclamação", teve por base uma proposta do deputado e vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo), Diosdado Cabello.

"É uma proposta que muito a ver com a pátria, com o amor a esta pátria", vincou Diosdado Cabello ao apresentar a proposta.

O decreto aprovado será remetido ao Conselho Nacional Eleitoral para fixar a data para as próximas eleições presidenciais, nas quais Nicolás Maduro será novamente candidato à Presidência da República.

A UE aprovou segunda-feira, em Bruxelas, sanções contra sete altos funcionários do Governo do Presidente Nicolás Maduro, por alegadas violações dos direitos humanos.

Entre os sancionados estão o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Maikel Moreno, o ministro venezuelano do Interior e Justiça, Néstor Reverol e o vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela, Diosdado Cabello, tido como o segundo homem mais forte do regime, depois de Nicolás Maduro.

As sanções abrangem ainda o diretor do Sebin (serviços secretos), Gustavo Enrique González, a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena, o procurador-geral designado pela Assembleia Constituinte, Tarek William Saab, o ex-comandante da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar), António José Benavides.

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