Num comunicado conjunto, mais de quinze candidatos, dos 24 que participaram nas eleições, chamaram os observadores internacionais e nacionais para "examinar e analisar com a maior neutralidade" as suas observações críticas..Os signatários da declaração lamentaram que não tenham sido levadas em conta as suas observações sobre irregularidades no processo eleitoral, a compra de votos, o "enchimento" de urnas e a não publicação dos censos em algumas assembleias de voto..Denunciaram também o uso "abusivo" por parte do presidente cessante, Ibrahim Boubacar Keita, de meios do Estado para favorecer a sua candidatura a um segundo mandato, e pediram a abertura de um inquérito judicial às acusações de corrupção feitas contra alguns membros do Tribunal Constitucional..Esta aliança de partidos opositores encabeçados por Soumaila Cissé, líder do partido União para a República e Democracia, domina o debate político nas redes sociais do país..O outro grupo, próximo do presidente cessante e encabeçado pelo partido maioritário, União para o Mali (RPM), mostra-se mais otimista relativamente a uma vitória parecida com a das anteriores eleições presidenciais, de 2013, quando Keita obteve 70% dos votos, afastando a necessidade de uma segunda volta.. Entretanto, a contagem dos votos continua desde domingo sem que até ao momento tenham sido apresentados resultados preliminares ou números sobre a taxa de participação, até à apresentação oficial dos resultados, a partir da próxima sexta-feira..O local de contagem dos votos, uma dependência do Ministério da Administração do Território, está totalmente cercado por um forte destacamento policial, que impede o acesso de jornalistas e observardes..Se nenhum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos, haverá uma segunda volta no dia 12 de agosto..A insegurança reina no Mali desde o golpe de Estado de 2012, quando o anterior presidente, Amadou Toumani Touré, foi deposto e grupos rebeldes tuaregues ligados à Al Qaeda assumiram o controlo do Norte..Apesar de os jihadistas terem sido expulsos um ano depois por uma intervenção militar internacional liderada pela França, grandes áreas do país ainda estão fora do controlo estatal..O Mali assinou em 2015 um acordo de paz e de reconciliação em Argel, entre o governo e rebeldes tuaregues, mas a ameaça terrorista e a violência étnica persistiram e estenderam-se do norte ao centro do país.