A oposição destacou como principais problemas da nova proposta o aumento da idade mínima para que idosos com menos rendimentos tenham acesso ao benefício integral, o aumento da idade para a aposentação de mulheres que trabalhem no campo ou que sejam professoras e a obrigatoriedade de 40 anos de contribuição para o acesso ao benefício integral. ."É uma reforma que ataca principalmente os mais pobres. Quem mais perde são eles" afirmou a deputada Jandira Feghali, do Partido Comunista do Brasil, acrescentando que "é tudo uma manobra para economizar em cima dos pobres", segundo o jornal Gazeta..O deputado Ivan Valente, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), usou a rede social Twitter para criticar o aumento do tempo de trabalho para a aposentação.."A máscara do Bolsonarismo continua a cair. A nova proposta da reforma aumenta o tempo de trabalho para se aposentar, prejudica ainda mais as mulheres, reduz os valores e deixa de fora os militares. Vergonhosa, indecente e maléfica", escreveu o deputado..O líder do Partido Democrático Trabalhista (PDT) na Câmara dos Deputados, André Figueiredo, afirmou que apesar de não ser contra uma mudança nas regras do sistema de reforma, considera a proposta hoje apresentada pelo atual executivo prejudicial para os mais pobres, principalmente para as mulheres.."As mulheres sofrem mais porque é uma falácia dizer que se aposentam aos 62 anos", afirmou André Figueiredo, segundo o Gazeta..Também a deputada federal e presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, disse que a proposta em causa é "um ataque brutal" aos trabalhadores.."A reforma da previdência é um ataque brutal contra a classe trabalhadora e não combate privilégios", escreveu Gleisi no Twitter..Por seu lado, Guilherme Boulos, ex-candidato à Presidência pelo PSOL, realçou que o Governo entregou o sistema de pagamento de pensões aos bancos.."Bolsonaro [Presidente da República] e Paulo Guedes [ministro da Economia] confirmam a proposta de capitalização. Veremos os termos, mas a ideia geral não é nada mais do que entregar o sistema de pensões aos bancos. O Chile fez isso na ditadura de Pinochet e ostenta hoje o título de país com mais suicídios de idosos acima de 80 anos", disse Boulos também no Twitter..Na mesma rede social, a ex-Presidente brasileira Dilma Rousseff salientou que a proposta de "reforma apresentada é uma afronta" e que "impõe pesadas perdas aos mais pobres".."A reforma da previdência apresentada é uma afronta. E impõe pesadas perdas aos mais pobres. Os mais prejudicados são os que ganham menos, os que têm expectativa de vida mais baixa, entram no mercado mais cedo e em profissões que exigem mais esforço físico", publicou a ex-chefe de Estado..O Governo brasileiro estima poupar 1,164 biliões de reais (276 mil milhões de euros), ao longo de dez anos, com a reforma do sistema de pagamento de pensões, conforme proposta apresentada hoje..A proposta foi na quarta-feira entregue pessoalmente pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro, ao Congresso, que terá de aprová-la na Câmara dos Deputados (câmara baixa parlamentar) e no Senado (câmara alta parlamentar) antes de poder entrar em vigor..Em conferência de imprensa, representantes do Ministério da Economia detalharam as mudanças propostas para os reformados em regime geral, que reúne trabalhadores dos setores público e privado. .O primeiro ponto destacado foi a criação de uma idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens terem acesso a pensões de reforma, desde que tenham contribuído durante 20 anos para o sistema de segurança social..Se o projeto for aprovado, será preciso atingir a idade mínima para pedir a pensão de reforma e haverá a extinção da possibilidade de receber pensões por tempo de contribuição..Atualmente, no Brasil é possível receber pensões por reforma comprovando o tempo de contribuição de 30 anos para mulheres e de 35 anos para homens. Também há pensões pagas por idade, 60 anos para mulheres e 65 anos para homens, que tenham comprovado no mínimo 15 anos de contribuições.