Oportunidade para a ilha Terceira se mostrar ao mundo

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A cidade de Angra do Heroísmo celebra no corrente ano o 40.º aniversário da inscrição da sua zona central na prestigiosa lista do Património Mundial da UNESCO. Capital histórica dos Açores, a cidade foi um elo essencial na navegação atlântica, a ponto de merecer o epíteto de "universal escala do mar poente". O resultado desse percurso histórico está plasmado na sua estrutura urbana e arquitetura, com a majestosa Fortaleza de São João Baptista com os seus 5 km de muralhas a rodear o Monte Brasil, um vulcão hoje transformado em parque urbano, a ser reconhecida entre as maiores e mais imponentes estruturas defensivas do Atlântico.

Com a chegada de forças britânicas à cidade em outubro de 1943, no contexto da II Guerra Mundial, a pacata vida insular sofreu uma rápida mutação. A Base da Lajes, então fundada, tornou-se no maior empregador da ilha e no verdadeiro sustentáculo da sua economia durante quase sete décadas. O fim da Guerra Fria levou à rápida contração do emprego, obrigando à procura de novas soluções que complementem a agropecuária, principal atividade da ilha. Nesse contexto tornou-se urgente dar força ao turismo, sector que devido às restrições do transporte aéreo se tinha mantido dormente durante décadas. A liberalização do transporte aéreo iniciada em 2025 veio melhorar substancialmente a acessibilidade à ilha, com uma redução drástica no custo das viagens e um rápido crescimento no investimento no sector hoteleiro e da restauração. O resultado foi o consequente aumento do emprego ligado à atividade.

Contudo, esta necessidade de entrar no competitivo mundo dos destinos turísticos não tem sido fácil. A Terceira, com um mercado menor e muito pior acessibilidade aérea, tem ficado, tal como as restantes ilhas, na sombra do rápido crescimento da ilha de São Miguel, com menos de um terço dos visitantes. Para inverter essa situação, tem-se exigido à ilha um redobrado esforço na sua promoção externa, essencialmente procurando obter uma visibilidade que seja compaginável com as suas características ímpares no contexto insular: proximidade às outras ilhas do grupo central, dando a verdadeira dimensão arquipelágica a quem a visita; um património histórico e cultural sem paralelo, que lhe mereceu ser o primeiro centro histórico português, e um dos primeiros europeus, a ser incluído na lista do Património da Humanidade; o maior parque natural dos Açores, com vegetação pristina e paisagens deslumbrantes; e, acima de tudo, um panorama cultural vibrante e uma população acolhedora e sem os desequilíbrios sociais que mancham outros destinos turísticos.

É nesse contexto de melhorar a visibilidade da cidade de Angra do Heroísmo, e de a projetar em outros potenciais mercados turísticos, que assume particular importância a realização da The Explorers Club's Global Exploration Summit, a Cimeira dos Exploradores, reunindo nesta cidade algumas das personalidades mais relevantes da exploração do espaço, dos oceanos e da própria Terra. A cimeira, com a sua cobertura mediática, cria uma oportunidade para Angra e a ilha Terceira se mostrarem ao Mundo. Confiamos que os resultados no crescimento do conhecimento externo da ilha se traduzam em mais visitantes. A ilha é neste momento um dos melhores territórios para se visitar, com excelentes infraestruturas, elevada qualidade de vida, preservando o seu tradicional sossego e beleza.

Presidente da câmara de Angra do Heroísmo

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