ONU alerta para aumento de menores recrutados pelo exército e grupos armados na Somália
Nos primeiros quatro meses de 2018, 448 menores de 7 a 17 anos (435 rapazes e 13 raparigas) foram recrutados pelas forças governamentais e grupos armados, enquanto no mesmo período de 2017 esse número era de 397, segundo o último relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), publicado hoje em Nairobi.
Além disso, no mesmo período em 2018, foram reportados 990 crimes contra menores (817 rapazes e 173 raparigas), que incluem abusos sexuais, assassínios, proibição de ajuda humanitária e ataques a escolas.
São quase 200 violações dos direitos humanos das crianças a mais em relação ao mesmo período de 2017, de acordo com o OCHA.
A equipa humanitária que trabalha na Somália atendeu este ano, até junho, 4.367 crianças separadas das suas famílias e não acompanhadas, dando assistência, apoio psicossocial e abrigo.
Além disso, a agência da ONU calcula que 1,2 milhões de crianças estão em risco de desnutrição.
Por outro lado, devido à violência que abala a Somália e as fortes chuvas que acabaram este mês, o número de pessoas que necessitam de assistência no país é de 5,4 milhões, além de outros 2,6 milhões de deslocados internos.
As chuvas afetaram 830.000 pessoas na parte sul e central do país e o impacto do ciclone Sagar, em finais de maio, afetou a outras 228.000 pessoas no norte, nas regiões próximas ao Djibuti.
Na zona norte, além disso, intensificaram-se nos últimos meses os confrontos armados entre o exército de duas regiões somalis, a autoproclamada independente Somalilândia e a semiautónoma Puntlândia, o que provocou o deslocamento de 12.800 pessoas.
As chuvas deste ano somam-se aos danos causados pela seca de 2017 e os ataques constantes do grupo terrorista Al-Shebab, que pretende instaurar um Estado islâmico no país.

