O chanceler alemão, Olaf Scholz, defendeu esta terça-feira, na Indonésia, que a Rússia terá de aceitar, mais cedo ou mais tarde, que a retirada das suas tropas da Ucrânia é a única saída para o conflito.."Terá de chegar uma altura em que a Rússia reconheça e aceite que tem de sair desta situação, e uma das exigências é a retirada das tropas", disse Scholz, citado pela agência EFE, numa conferência de imprensa em Nusa Dua, na ilha indonésia de Bali, onde participa na cimeira do G20..Relativamente à proposta de paz de dez pontos apresentada ao grupo das 20 economias mais desenvolvidas e emergentes pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o chanceler alemão reiterou que o "importante agora é que a Rússia termine a sua guerra de agressão e retire as suas tropas"..Além da retirada das tropas russas e do respeito pela integridade territorial da Ucrânia, o plano de Zelensky prevê garantias de segurança nuclear, energética e alimentar, e a criação de um tribunal especial sobre crimes de guerra..Inclui também a libertação de prisioneiros e deportados, proteção ambiental, prevenção de escalada e confirmação do fim da guerra..Presente no G20, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, considerou irrealistas as exigências de Zelensky para a Ucrânia negociar o fim da guerra com a Rússia..Scholz insistiu que a retirada das tropas russas é a base para alcançar uma situação em que a paz possa ser negociada..Considerou que a paz não pode ser ditada pela perspetiva russa, porque a Ucrânia e a comunidade internacional não a aceitariam..Neste sentido, disse ser a favor de se manter o diálogo com o Presidente russo, Vladimir Putin, como tem feito nos últimos meses.."Penso que é a coisa certa, ter um diálogo contínuo em que também discutimos precisamente as questões que vemos de forma diferente", disse..O chanceler alemão lembrou que manteve conversações não só com Zelensky, mas também com Putin tanto antes como durante a guerra que a Rússia iniciou em 24 de fevereiro deste ano..Scholz referiu-se ainda ao projeto de acordo do G20, considerando que é deixado claro que a atual "guerra de agressão é inaceitável"..O projeto de acordo também prevê que tudo deve ser feito para contrariar o impacto da guerra no resto do mundo e que a "utilização de armas nucleares está fora de questão", segundo Scholz.."Este é o consenso que está gradualmente a ganhar terreno aqui", disse..Scholz acrescentou ser "particularmente valioso" que esta abordagem "tenha assumido tanta importância" na cimeira do G20 e que se chegue a acordo sobre a declaração final..Na cimeira do G20, que termina na quarta-feira, participam, entre outros, os presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, da China, Xi Jinping, e da França, Emmanuel Macron.