Oitavo grande desastre aéreo deste ano mata 168 no Irão

Frota aérea antiquada ou deficiente manutenção do aparelho, com 20 anos de serviço, pode estar na origem da tragédia sucedida ontem com um voo de Teerão para a capital da Arménia. Os acidentes aéreos têm sido frequentes em território iraniano na última década.
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Os 168 passageiros e tripulantes mortos no acidente do Tupolev 154-M, que se despenhou ontem na província de Qazvin, Norte do Irão, vêm somar-se às 464 vítimas de sete acidentes aéreos sucedidos desde o início do ano, naquele que se está a tornar um dos piores momentos da aviação comercial nos últimos anos (ver cronologia).

Destes acidentes, apenas o voo da US Airways que colidiu com um bando de pássaros após descolar do aeroporto de La Guardia, em Nova Iorque, a 15 de Janeiro, não causou quaisquer vítimas. O piloto conseguiu amarar o Airbus A320, onde seguiam 155 pessoas, no rio Hudson sem problemas.

O voo 7908 da Caspian Airlines ligava Teerão, de onde partiu às 07.19 (hora TMG), à capital da Arménia, Ierevan, "e despenhou-se 16 minutos após a descolagem, junto à localidade de Janat-Abad", na província de Qazvin, afirmou às agências um porta-voz da avião civil iraniana.

Segundo testemunhas oculares, "o motor esquerdo do avião incendiou-se em pleno voo, antes de o avião se despenhar e explodir" no impacto com o solo, referiu um responsável policial da província. De acordo com este responsável, o "avião deu várias voltas nos ares à procura de um local para aterrar", acabando por despenhar-se.

O avião da Caspian Airlines, uma companhia aérea do Irão surgida em 1992, transportava 153 passageiros, dos quais 147 tinham passaporte iraniano e 31 eram naturais da Arménia, além de outras nacionalidades. Os 15 tripulantes eram maioritariamente iranianos, sendo que dois eram arménios. Entre as vítimas iranianas estão dez elementos da equipa nacional júnior de judo.

O Líder Supremo do Irão, ayatollah Ali Khamanei, ordenou a realização de um rápido e exaustivo inquérito ao acidente e o Presidente Mahmud Ahmadinejad apresentou condolências às famílias.

A televisão iraniana mostrou ao final do dia imagens do local onde se despenhou o Tupolev, sendo visível uma enorme cratera no solo, além de fragmentos da fuselagem, bagagens e roupas das vítimas. O "avião ficou completamente destruído", afirmou o responsável provincial da polícia, cujos efectivos impediam o acesso de populares às imediações do local.

A Caspian Airlines efectua uma média de 50 voos semanais para a Arménia, Hungria, Ucrânia, Turquia e Emiratos Árabes, além de voos internos. O acidente de ontem é mais um na longa série de desastres aéreos sucedidos na última década no Irão, país equipado com uma frota aérea civil e militar antiquada e sujeita a deficiente manutenção, em parte devido ao embargo imposto pelos Estados Unidos após o assalto à sua embaixada em Teerão.

Por outro lado, o segmento de aparelhos russos utilizados na maioria dos voos comerciais está ultrapassado e não é considerado muito seguro. Nos últimos 15 anos há registo de vários acidentes com este modelo de avião, o TU-154 (ver texto nesta página).

O aparelho que caiu fora construído em 1987, tendo este modelo, de três motores, cessado a produção em 1994 (ver infografia). É ainda bastante usado nos países da ex-União Soviética e em vários países do Terceiro Mundo.

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