Em declarações à agência Lusa, Luís de Castro, que era seu amigo há décadas, realçou que a essa "capacidade interpretativa não era alheia a sua grande inteligência e interesse por tudo, muito especialmente poesia".."A Celeste [Rodrigues] era dotada de uma inteligência vibrante e arguta", disse.."Era uma mulher que gostava de conversar, cultivava o espírito de tertúlia", afirmou, recordando "as várias noites tertuliando na Parreirinha de Alfama, com [os atores] Varela Silva e Carlos José Teixeira, entre outros".."O extraordinário é que no ocaso da sua carreira a Celeste Rodrigues estava a cantar melhor do que alguma vez cantou, com uma voz muito bonita e uma capacidade interpretativa absoluta"..Referindo-se às "irmãs Rodrigues", Luís de Castro disse: "A Celeste tinha muitas das características de personalidade da Amália, mas enquanto Amália era triste e contida, a Celeste era alegre e expansiva"..A Associação Portuguesa dos Amigos do Fado (APAF), da qual Celeste era sócia honorária, homenageou-a em 2007, no Museu do Fado, numa cerimónia em que participaram os fadistas Vítor Duarte Marceneiro, Argentina Santos, à qual se seguiu uma tertúlia no restaurante Fado Maior, em que participaram, entre outros, Julieta Estrela, Julieta Reis e Luís Almada. .A fadista participou também nas Jornadas de Fado da APAF, realizada na Fonoteca Municipal de Lisboa, numa sessão dedicada ao poeta Frederico de Brito, tendo participado num espetáculo sobre este poeta na Casa do Alentejo, em Lisboa..Hoje numa nota enviada à Lusa, a APAF destaca "a elegância interpretativa e a regularidade de uma carreira exemplar, que deve inspirar os mais novos"..A discográfica Valentim de Carvalho em comunicado lamenta a morte da fadista que "cantou nas mais típicas e emblemáticas casas de fado em Lisboa, pisou palcos internacionais e marcou a cultura nacional com a sua voz carismática"..A Valentim de Carvalho recorda os êxitos que fadista gravou nos seus estúdios, designadamente, "Lenda das Algas", "Olha a Mala" e "Pode Ser Mentira"..Celeste Rodrigues, de 95 anos, morreu hoje, em Lisboa, e celebrizou fados como "Noite de Inverno" e "Saudade vai-te embora", tendo, ao longo de uma carreira de 73 anos, pisado os mais diferentes palcos, desde as casas de fado em Lisboa, ao antigo Casino da Urca, no Rio de Janeiro, ao lado da irmã Amália Rodrigues, do Teatro dos Campos Elísios, em Paris, ao Concertgebouw, em Amesterdão, ou o Queen Elizabeth Hall, em Londres, entre outros..A fadista Celeste Rodrigues era uma "lenda viva", para Madonna, mas foi Argentina Santos a reconhecer-lhe o segredo, "uma caixinha de música na garganta".