O triunfo da animação sexual

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Carnaval dos Animais, de Michaela Pavlátová (República Checa), uma desenfreada celebração dos prazeres do corpo, reuniu a preferência do júri internacional do Cinanima, constituído por Maria João Seixas e pelos realizadores Edward Nazarov, José Miguel Ribeiro, Tess Mallinson e Thomas Renoldner.

O filme mistura várias técnicas (marionetas, plasticina, areia, recortes, computador 2 e 3D), numa orgia de animação coerente com o tema abordado, revelando-se quase uma Arca de Noé do sexo. O Prémio Especial do Júri foi atribuído a A Torre de Bawher, de Theodore Ushev (Canadá), uma viagem pela riqueza gráfica e semiótica do construtivismo russo. Entre os portugueses, Stuart, de José Pedro Cavalheiro (Zepe), um tributo à obra gráfica de Stuart Carvalhais, dominou em toda a linha, averbando o Grande Prémio Tóbis, o Prémio António Gaio e o Prémio Melhor Banda Sonora Original, de Paulo Curado.

Na categoria A (fitas até 15 minutos), a vitória sorriu, ex-aequo, a Um D, de Mike Grimshaw (Canadá), e O Poeta Dinamarquês, de Torill Kove (Noruega). O primeiro é uma hilariante apologia da unidimensionalidade, feita em computador 2D, que nos apresenta um mundo de barras avessas a códigos; o segundo, em desenho sobre acetato, parte de uma história de amor servida por inúmeras coincidências para desconstruir aquilo a que chamamos acaso.

Com dois filmes a concurso, Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol (França) acabaram por ver um deles, Le Couloir, triunfar na categoria B (de 15 a 50 minutos). É uma visão aguda dos efeitos do desemprego, num desenho de toque cubista que fica como uma das memórias mais fortes deste Cinanima.

Phil Mulloy (Reino Unido), o criador dos famosos Zoggs, leva para casa o prémio de Melhor Longa-Metragem, por Os Christies, animação em computador 2D sobre uma família disfuncional tipicamente inglesa. Como primeiro filme ou obra de final de curso (categoria D) foi distinguido Mãe, do também britânico Christoph Steger, interessante documentário animado (em desenho sobre papel) a partir de uma entrevista com uma agente funerária.

Finalmente, o Prémio José Abel, que destaca a qualidade da animação, foi para Sonhos & Desejos - Laços Familiares, nada mais nada menos que o Cartoon d'Or, de Joana Quinn (Reino Unido). A surpresa desta edição, talvez a mais concorrida dos últimos anos, acabou por ser a não atribuição de qualquer prémio a Meu Amor, do incontestado mestre da animação mundial, o russo Alexandre Petrov.

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