Eu acho que merecia namorar o George Clooney. A sério.O George Clooney gosta de morenas e eu sou morena. Não me parece que ele se importasse com dois ou três quilos a mais, ou com o meu rasto de celulite. (A celulite cobiça tanto o nosso corpo como determinados homens, o problema é que se afeiçoa muito mais a nós…).O Clooney também não havia de se importar com as minhas pequenas imperfeições, e estou certa que eu o compensaria com o meu cabelo brilhante. Ele é desses homens. Dos que vêem cabelo e percebem que não são extensões. Eu quero acreditar nele assim. Mas se eu tivesse cabelo curto, ele gostaria de mim na mesma e ficava a ver-me no sofá enquanto me passava a mão pela cabeça…O Clooney também me cativa pela forma serena e grave como fala. E depois, pode terminar uma coisa séria com aquele sorriso que não parece dos homens. Parece de um deus. O deus das coisas boas, só pode ser. Vê-lo a acordar com aquele sorriso (ou a adormecer) faria com que eu acreditasse ainda mais na justiça divina. É que eu mereço o Clooney..Fico aborrecida quando termina um filme em que ele entrou. Fico aborrecida porque, durante aquelas duas horas, ele foi só meu, e sorrio a vê-lo, como se estivesse à minha frente, ao meu lado, a cheirar-lhe aquela pele tão densa de lobo-do-mar solitário que se enternece com coisas simples. Ah homem, que felizes seríamos! .Eu tenho um plano para nós: vens da América (terás de certeza o teu pé-de-meia) e podemos ir morar para um sítio lindo que eu conheço no sul. Compramos uma casa modesta, mas com jardim e lareira, e num dos quartos (que se lixem os livros e os discos) montamos uma garrafeira. Sim, forramos um quarto só com belas garrafas de vinho português, daquelas que nos farão namorar noite após noite no sofá, rindo do tempo em que ainda não nos conhecíamos. Depois, quando formos jantar fora, dou-te a comer camarões da ria, ostras ou conquilhas, e tu terás uma palavra de agradecimento para todos os que nos serviram tão bem. (E não é por seres conhecido!).Caramba, Clooney, ainda tens dúvidas em deixar a indústria? Tu sabes o sol e as temperaturas boas que aqui temos? E se quiseres também vamos mais para norte e levo-te a comer um cabrito como nunca provaste ou umas tripas de confiança, perante as quais torcerás o nariz na estreia, acabando depois por salivar quando tivermos de voltar à América e eu não levar as tripas na mala. Já viste o que era com a paranóia do terrorismo, eu levar aquele material fétido na bagagem? Eu sei que o aparato policial seria grande à nossa volta e tu sorririas de novo, lembrando-me, só com esse sorriso, que estás tão apaixonado por mim! E eu acredito em ti, porque sei o quanto te mereço. E quantos filmes tive de ver até perceber que já te conhecia..Que felicidade, George!Afinal, o amor a sério não acontece só nos filmes. E sabes quando tive este feeling que tínhamos tudo para dar certo juntos? Quando te vi Nas nuvens, do Jason Reitman, e tu ficas ferido de morte quando finalmente te dispões a amar. Bolas, homem, eu que não suporto voos longos, levantei-me da cadeira na sala de cinema e fui a correr para o aeroporto a ver se te via de mala pelo chão e coração descaído. Foi depois disso, Clooney, que cheguei à conclusão do quanto te mereço, e do medo que tenho de te apresentar às minhas amigas. Tenho medo que, apesar do sol e das tripas, do tinto e dos camarõezinhos da ria, tu te enterneças com outras portuguesas generosas que davam tudo para te ver a acordar com esse sorriso que faz milagres. Faz o mundo acontecer.Tenho medo e tenho pena ao mesmo tempo. Porque sei que, de todas, eu é que te mereço..Oh God, make me good, but not yet!