O seu a seu dono
Esta primeira coluna após o tempo de férias é uma boa oportunidade para dar despacho a uma matéria que foi sendo relegada para segundo plano por motivos relacionados com questões de actualidade.
Está em causa um protesto do leitor Fernando Manuel Soares Frazão, que abre, além do mais, a possibilidade de elaborar sobre circunstâncias que ocorrem com frequência nos jornais. Escreve o leitor, a propósito de uma reportagem intitulada "Professora admite processar autora de gravação", publicada ainda no mês de Maio: "A imagem que serve de teaser à notícia em epígrafe é vergonhosa. Não sei onde Helder Robalo foi buscar a informação mas atentemos no conteúdo particularmente chocante no cartaz cujo título é 'Gente da nossa terra: perfil'. Para além de qualificações como 'virgem perfeccionista', o leitor fica a saber que a pessoa em causa não tem uma profissão mas sim uma 'ocupação', o que é mais ou menos equivalente a ter como hobby dar aulas na Escola EB2/3 Agrup. Sá Couto. Toda a informação é irrelevante para o assunto e é digna de figurar nas chamadas revistas do coração ou de conteúdo mundano. Num jornal de referência pode apenas ser considerado lixo 'informativo' .A questão já assumiu contornos verdadeiramente espantosos a avaliar pelo número de comentários efectuados sobre as notícias ou crónicas (vide Ferreira Fer- nandes em 2009/05/20) para ainda ser alimentado por títulos escabrosos."
Para melhor esclarecimento dos leitores, recorde-se que se tratava do caso de uma professora de História de Espinho, que foi suspensa preventivamente depois de ter vindo a público a gravação de uma aula onde proferiu declarações polémicas de cariz sexual. Num trabalho de Helder Robalo, o DN dedicou duas páginas ao caso na edição de 21 de Maio, tratando exaustivamente a matéria e apresentando elementos fundamentais para um correcto enquadramento da situação.
A pedido do provedor, o jornalista Helder Robalo comentou o protesto de Fernando Frazão: "Em relação à imagem em causa permita-me esclarecer que a mesma não é da autoria do Diário de Notícias. Trata-se sim de uma reprodução de uma página do Jornal de Espinho, que, em 27 de Junho de 2007, publicou um perfil sobre a professora Josefina Rocha. Ou seja, o cartaz que ali surge inserido, com o título 'Gente da nossa terra: perfil', bem como todas as informações, não é da responsabilidade do Diário de Notícias, mas sim do Jornal de Espinho. Imagem que, naturalmente, o DN não podia nem devia manipular. Aliás, a própria legenda ('Perfil traçado pelo Jornal de Espinho, em 2007, apresenta docente como uma mulher perfeccionista') procura fazer um enquadramento desta mesma reprodução que ilustra o trabalho publicado pelo DN."
Na opinião do provedor, Helder Robalo tem razão. A forma como a reportagem foi paginada não deixa dúvidas sobre o facto de que se trata de conteúdos que o DN foi buscar a uma edição de 2007 do Jornal de Espinho, como se afirma, de forma inequívoca, na legenda que ilustra o cartaz transcrito.
O leitor tem, obviamente, o direito de pensar que essa informação não valoriza o trabalho jornalístico do DN. É matéria de opinião, mas, também aqui, não tem a concordância do provedor, até porque estão em causa dados secundários no âmbito de um trabalho de qualidade global indiscutível.
A questão de princípio reporta à exigência de citar sempre fontes externas a que o jornalista tenha recorrido para a elaboração de uma qualquer notícia ou reportagem. E, neste caso, o preceito foi cumprido.
Uma rectificação
O leitor Miguel Ramalho é credor de um pedido de desculpas por parte do provedor. Havia solicitado um esclarecimento sobre o plural de 'guardião' e, na coluna publicada a 1 de Agosto, o provedor, citando o Dicionário de Língua Portuguesa Contemporânea da Academia de Ciências de Lisboa, apresentava três possibilidades, quando as correctas são apenas duas: "guardiães" e "guardiões". O leitor, na sua mais recente mensagem, chama também a atenção para alguns lapsos ocorridos nas páginas do DN, reparos que se agradecem e que foram devidamente encaminhados. C

